Política

Lula participa do comício de Tarso Genro em Caxias do Sul

Ex-presidente aproveitou o espaço para fazer críticas a Marina Silva

Lula participa do comício de Tarso Genro em Caxias do Sul
Lula participa do comício de Tarso Genro em Caxias do Sul Foto : Samuel Maciel
Por Iuri Ramos 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou nesta quinta-feira do comício do candidato à reeleição para governador, Tarso Genro (PT), em Caxias do Sul, na Serra. O evento que seria realizado ao ar livre foi alterado para uma casa de shows devido à previsão de chuva.

Em discurso, Lula disse que era necessário fazer história no RS e reeleger pela primeira vez um governador. Ele também alfinetou a adversária Ana Amélia Lemos e o candidato ao Senado Lasier Martins. “Temos que vencer o mito de não reeleger governador aqui. Ele (Tarso), que foi ministro do meu governo, deve ser motivo de orgulho deste Estado. Porque ele recuperou a economia em pouco tempo e tornou o estado em que a economia mais cresce no Brasil. Achar que uma empresa de comunicação pode tirar um governador e eleger outro, tirar um senador e botar outro? Não mais. Talvez pudessem até 1989”, criticou.

De acordo com o ex-presidente, os governos do PT foram os que mais destinaram verbas para o Rio Grande do Sul. “O RS nunca recebeu, nem quando Getúlio Vargas foi presidente, metade dos recursos que vem recebendo do governo federal. Temos que mostrar que em quatro anos o governo do Tarso fez mais do que quase todos governos anteriores juntos. Não defendemos o nome do Tarso, mas o legado e as políticas que foram implementadas.”

Lula ainda atribuiu a seus dois mandatos, seguidos da eleição de Tarso, como responsáveis para a reestrutução da zona Sul do Estado. “Não vou falar mal dos teu adversários, Tarso. Vou falar primeiro para acreditar que o governo Tarso voltou a recuperar a autoestima do povo. Recuperamos as indústrias nessa cidade. A metade sul do estado que estava abandonada; e nós recuperamos Rio Grande e Pelotas. Temos que ir às ruas debater com nossos adversários, mas não da forma perversa com que eles nos tratam. A esquerda não chegou ao poder para devolver na mesma moeda”, acrescentou.

O ex-presidente aproveitou para criticar o discurso de Marina Silva de fazer a nova política. “É muito fácil dizer que vão governar com os melhores, a nova política. É como se a igreja católica quisesse mudar fora da Igreja. Não se muda a política fora da política. Tem uma candidata que inovou tanto que o Pedro Simon é candidato dela. Nós passamos a fazer a nova política quando respeitamos a população brasileira, quando triplicamos o orçamento para educação e para agricultura familiar, ou quando criamos 21 milhões de empregos e vencemos o complexo de vira-lata que tomava o Brasil.”

Em sua vez, Tarso afirmou que a eleição atual é um momento histórico por expor tão claramente as diferentes ideologias políticas. O candidato disse ter sido provocador por ter tirado o bigode antes de entrar em campanha. “Eu tirei o bigode e disseram que era porque eu não tinha cumprido promessas. Eu respondi que não precisava de bigode para cumprir promessas. Mas se o problema era o bigode, temos o Olívio”, brincou. O candidato ao Senado não estava em Caxias por compromisso de campanha.

Tarso pediu que a militância ocupasse mais as ruas na reta final da campanha. “A mobilização no interior não estava sendo suficiente, só estavam se mobilizando nos locais que eu, ou o Olívio iam. A partir de segunda-feira estou integralmente na campanha. E é por isso que o Lula está aqui. Para marcar a grande mudança na mobilização da nossa militância”, afirmou Tarso. Para ele, a eleição não tem resultado previsível. “É uma eleição atípica pode ter qualquer resultado, nada está decidido. Só estará decido se conquistarmos voto a voto batendo de porta em porta”, declarou o petista.

Um dos primeiros a discursar, o presidente estadual do PT, Ary Vanazzi, disparou contra a candidata à presidência Marina Silva. “A eleição que vivemos hoje divide o Brasil e constrói uma discussão para o futuro do país. Temos que pensar como era o Brasil antes do Lula. Como era o desemprego, a inflação, a vida do homem do campo. Só passamos a ter autonomia quando os trabalhadores chegaram ao governo e criaram os programas social. A oposição entrou um candidata com uma vida social importante mas que assumiu um papel que nem FHC teve coragem, de dar autonomia ao Banco central que só nos trará a especulação financeira”.

Vanazzi também não poupou os candidatos ao governo e ao Senado, Ana Amélia (PP) e Lasier Martins (PDT). O petista questionou onde estava o PP durante o governo de Yeda Crusius, e disse que Lasier deveria voltar para a empresa de comunicação que trabalhava antes de entrar para política, na qual só falava mal dos políticos.

A movimentação de militantes já ocorria desde o início da tarde de ontem. Algumas pessoas chegaram ao local por volta das 14h, com intuito de garantir um bom lugar para acompanhar os discursos de Lula e Tarso. Muitas faixas e cartazes de candidatos da proporcional da coligação, especialmente da Serra gaúcha, foram fixados nas paredes da casa de eventos.

Lula chegou à Caxias do Sul por volta das 17h, sendo recepcionado por Tarso, sua vice, Abgail Pereira, e outas lideranças da região. Do aeroporto, o ex-presidente seguiu para um hotel onde se reuniu com Tarso por alguns minutos. Segundo assessores, Lula gravou vídeos para o programa eleitoral de televisão para a campanha de Tarso.

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