O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou, nesta quinta-feira, que vai concorrer à Presidência da República em 2018. Apesar das denúncias feitas por delatores da Odebrecht, ele defendeu a classe política brasileira. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) remeteu a instâncias inferiores pedidos de investigação contra o petista.
"Fora da política é o fascismo. É preciso melhorar a classe política. Em 2018, isso pode mudar, mas não pode eleger um Congresso como este", afirmou o ex-presidente à Rádio Metrópole de Salvador. A entrevista foi divulgada por Lula em suas redes sociais. "Não sei o que vai acontecer comigo, mas estou na disputa e vou provar que este país pode voltar a ser feliz", disse Lula. Ele foi apontado como beneficiário, após deixar o Planalto em 2010, de uma conta de R$ 40 milhões - um "saldo Amigo", nas palavras de Marcelo Odebrecht.
Questionado sobre as delações, Lula lamentou que não consegue passar um dia sem ver "uma denúncia, uma leviandade, uma mentira" envolvendo seu nome. Segundo ele, as acusações são "absurdas" e "inverossímeis". "Eu desafio qualquer empresário a dizer que Lula pediu R$ 10", frisou o ex-presidente. "Eu acho que o que está por detrás de tudo isso é tentar encontrar uma pulga para evitar que o Lula seja candidato em 2018. É isso que está em jogo."
Lula rebateu as informações do ex-diretor da Odebrecht Alexandrino Alencar de que seu irmão Frei Chico recebia uma mesada da empreiteira. "Eu nunca dei um real para meu irmão Frei Chico. Ele é mais velho do que eu, ele que me colocou na política. E agora inventam que a Odebrecht dava R$ 5 mil para ele por mês? Ora, isso é problema deles. Acusam uma reforma em um sítio que não é meu. O mesmo com o apartamento do Guarujá, que não é meu."
Sem citar o juiz Sérgio Moro, Lula enfatizou que não é correto paralisar o país por causa de uma investigação. "Estamos sendo governados lá de Curitiba, não tem sentido isso", afirmou. Ele disse que é a favor de que se investigue tudo, mas não concorda com os vazamentos "feitos de dentro" da sala do juiz, referindo-se ao depoimento de Marcelo Odebrecht.
Lula reafirma candidatura em 2018 e lamenta "denúncias absurdas"
Ex-presidente reconheceu necessidade de mudanças no Congresso, mas defendeu a política