Política

Lula recebe título de Doutor Honoris Causa em Paris

Ex-presidente destacou criação de universidades e retirada de população do Brasil da miséria em seus mandatos

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, nesta terça-feira, o título de Doutor Honoris Causa do prestigiado Instituto de Ciências Políticas de Paris. Ele classificou o título como "uma homenagem ao povo brasileiro" e não uma conquista individual.

"Não é um reconhecimento pessoal", declarou o ex-presidente em uma cerimônia no anfiteatro da casa de altos estudos. Aplaudido de pé pelos docentes, estudantes e embaixadores de vários países latino-americanos, que agitavam bandeiras verde e amarelas, Lula se tornou a primeira personalidade da América Latina a receber o título. "É para mim uma grande honra recebê-lo, e ainda maior porque sou o primeiro latino-americano", declarou Lula, de 65 anos, meses depois de ter deixado a Presidência com uma popularidade histórica de 80%.

Após citar alguns dos números-chave de seus dois mandatos (2003-2011), como as 28 milhões de pessoas que saíram da miséria, as 30 milhões de pessoas que entraram na classe média, os 16 milhões de novos empregos ou o aumento do salário mínimo em 62%, o ex-presidente destacou uma gestão que "começou a tratar os pobres como verdadeiros cidadãos". Após dizer que o Brasil "não está sozinho nesta trajetória virtuosa de democracia, desenvolvimento econômico e justiça social", sustentou que a "esperança progressista do mundo de hoje navega com os ventos que sopram do sul".

"A América do Sul não é mais a origem dos problemas deste mundo", afirmou Lula, enfatizando o papel dessa região na construção de um "mundo multipolar". "O continente afirma sua presença na comunidade internacional, renovando a confiança em seus povos para construir um destino comum em democracia com crescimento econômico e justiça social", destacou, antes de citar a crise da dívida que atinge a Europa e de lembrar: "quando houve crise no Brasil e no México recebíamos muitos conselhos. Agora vejo o mundo rico com muitos problemas", disse o ex-presidente que pediu que a Europa adote "decisões políticas, não econômicas".

Metalúrgico e líder sindical sem título universitário, Lula concorreu três vezes à Presidência antes de ser eleito e se declarou orgulhoso de ter criado 14 universidades, 126 campi universitários e 214 escolas técnicas. "Pertenço a uma geração que acreditou muito que era possível", salientou o político antes de confessar que talvez tenha sido por "orgulho de classe" que quis "demonstrar que um metalúrgico sem diploma universitário podia fazer mais do que a elite política do Brasil".

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