Política

Lula recebeu propina em dinheiro vivo, diz revista

Parte de um total de R$ 8 milhões teria sido repassado em espécie, segundo delação de Marcelo Odebrecht

Lula diz haver um "pacto diabólico"
Lula diz haver um "pacto diabólico" Foto : Nelson Almeida / AFP / CP
A edição desta semana da revista IstoÉ afirma que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria recebido dinheiro vivo de propina da empreiteira Odebrecht. Parte de um valor total de R$ 8 milhões teria sido repassado a Lula em espécie, segundo depoimento do principal executivo da empreiteira, Marcelo Odebrecht, em acordo de delação premiada, aos procuradores da Operação Lava Jato.

Na quinta-feira à noite, em evento do PT nacional, Lula fez um discurso em que apontou a existência de um “pacto” contra ele. O petista desafiou seus acusadores a apresentarem provas contra ele. “Tenho preocupação quando eu vejo um pacto quase que diabólico entre mídia, a Polícia Federal, o Ministério Público e o juiz que está apurando todo esse processo. (...) A menor preocupação é com a verdade”, disse Lula.

A revista afirma que Lula recebeu a maior parte dos repasses entre 2012 e 2013, quando já não era mais presidente. Os repasses foram originados no Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, conhecido como o departamento responsável pela organização das propinas. Lula teria sido citado também pelo pai de Marcelo, Emílio Odebrecht, pelo diretor Luiz Antônio Mameri e pelo ex-executivo da empreiteira Alexandrino Alencar. Este último detalhou viagens de Lula em jatos da empresa e a participação na reforma do sítio de Atibaia, do qual o ex-presidente nega a propriedade.

Ainda na quinta-feira, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, rebateu as críticas do ex-presidente. “O que eu posso dizer é que eu não sou religioso”, ironizou. Janot também ressaltou que não se pode aceitar retrocesso na Operação Lava Jato.

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, afirmou que a denúncia de Lula teria recebido dinheiro vivo de propina da Odebrecht é mais uma que não tem comprovação. Para ele, está se criando um clima em que uma “simples delação” vira instrumento de julgamento final.