O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfatizou a sua inocência no processo no qual foi condenado a 12 anos 1 mês de prisão na Lava Jato. Em São Borja, durante a caravana que faz por cidades do Sul do país, Lula concedeu entrevista ao programa da Rádio Guaíba Esfera Pública, no início da tarde desta quinta-feira. Ele evitou fazer algum prognóstico do resultado da votação de seu habeas corpus preventivo no Supremo Tribunal Federal (STF) à tarde.
“Única coisa que eu quero deste processo é que uma instância superior, ou seja o STJ ou o STF, julgue o mérito do processo. Eu não posso aceitar o conjunto de mentiras que foi montado para tentar condenar o Lula”, afirmou o ex-presidente. “Toda peça se baseia em uma notícia mentirosa do Jornal o O Globo. Por conta disso, a Polícia Federal fez um inquérito mentiroso, que mandou para o MPF”, ressaltou ele, que concluiu: “O (juiz Sérgio) Moro , que fez uma sentença mentirosa”.
“Eu já tenho 72 anos e pelo menos 54 anos de luta. Não posso admitir que se construa uma farsa para tentar me condenar”, concluiu, lembrando que afirmou a Moro, em seu depoimento, que o magistrado “estava condenado a condená-lo”.
Mesmo possivelmente em vias de ser preso – a depender do resultado do julgamento do habeas corpus no STF e da análise dos embargos no Tribunal Federal da 4ª Região (TRF4), na segunda-feira – Lula assegurou estar em paz: “Eu estou muito tranquilo. Estou com a tranquilidade dos inocentes e eles com a intranquilidade dos culpados”, comparou ele, que espera ser inocentado mais cedo ou mais tarde: “Eu ainda acredito na Justiça. Se não for hoje, vai ser daqui a um tempo”.
“Não vou sair do Brasil”
O ex-presidente deu a ideia de que é um condenado político. “Eles não estão julgando o Lula e sim o governo, julgando a ascensão social das pessoas. O jeito de fazer política”, analisou. “Em quatro anos, já futricaram a minha vida de tudo o quanto é lado e não acharam nada. Peçam desculpa para o povo.”
Apesar da crítica ao resultado do processo, Lula não indicou resistência à sentença. “Não tenho a vocação do Getúlio: não vou me matar. Não tenho a vocação do Jango: não vou sair do Brasil”, citou o ex-presidente, que salientou que a última cidade de sua caravana é Curitiba. “Se quiserem tomar a decisão, tomem, eu não estou acima da lei.”
Quanto ao resultado do julgamento do habeas corpus no STF, Lula evitou fazer prognóstico. “Prefiro não alimentar expectativa. Eles votam do jeito que eles quiserem e vou continuar minha caravana”, afirmou ele, que espera poder ser candidato à presidência. “Enquanto houver uma chance, quero ser candidato porque tenho consciência que podemos melhorar o Brasil.”
Lula reitera inocência e afirma que sentença que o condenou é “mentirosa”
Ex-presidente se disse com consciência tranquila, apesar de esgotamento de recursos contra prisão