Durante uma rápida cerimônia no aeroporto da cidade mineira, Lula mais uma vez evitou responder às abordagens dos jornalistas e reiterou que pretende manter-se em "férias" até o fim do carnaval.
"É a minha primeira atividade depois que eu deixei a Presidência. Eu, na verdade, não quero ter atividade até março, vou esperar o carnaval. A companheira Dilma está montando o seu time e eu preciso desencarnar da Presidência. Então, quanto mais quieto eu ficar, quanto menos eu falar, melhor será para todos nós", disse o ex-presidente, que prometeu "reencarnar como cidadão brasileiro" somente.
Lula não quis fazer nenhum prognóstico em relação ao caso do ex-ativista italiano Cesare Battisti. No seu último dia de mandato, o ex-presidente negou a extradição. A defesa de Battisti pediu neste mês sua libertação, o que deverá ser decidido pelo pleno do Supremo Tribunal Federal (STF) em fevereiro. Lula também evitou falar sobre o governo de sua sucessora.
Ele recebeu do prefeito Vadinho Baião (PT) a medalha Ary Barroso, comenda estabelecida pela administração municipal em 2003, quando do centenário de nascimento do compositor natural de Ubá. O ex-presidente também ganhou de presente uma cesta com produtos da região, incluindo o tradicional doce de manga (mangada) e uma garrafa de cachaça.
O prefeito pediu que Lula levasse uma caixa de doce para o ex-vice-presidente José Alencar. O ex-presidente havia solicitado aos assessores que adiantassem a cerimônia para poder fazer uma visita a Alencar no seu retorno a São Paulo. Lula telefonou para o ex-vice-presidente, que tem fortes ligações com Ubá, onde viveu e teve negócios. "Contei para ele que eu estava aqui e ele ficou muito feliz. Encontrei várias pessoas que trabalhavam com o José Alencar", observou. "Vou levar uma caixinha (de mangada) para ele, mas vai depender da fome que eu estiver no avião."