Política

Lula vai a Cuba visitar Fidel e negociar investimentos

Esta é a quarta vez que o presidente vai ao país desde que chegou ao poder, em 2003

Lula vai a Cuba visitar Fidel e negociar investimentos
Lula vai a Cuba visitar Fidel e negociar investimentos Foto : AFP
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega na noite desta terça-feira a Cuba para visitar Fidel Castro e negociar investimentos com o governo de Raúl Castro importantes para a ilha, que atravessa uma dura crise econômica.

Lula deve chegar a Havana com vários ministros e empresários às 20h locais (22h de Brasília) vindo do México, onde, assim como o presidente Raúl Castro, participa da cúpula do Grupo do Rio. Na viagem, ele irá também ao Haiti e a El Salvador.

Em sua quarta ida a Cuba desde que chegou ao poder, em janeiro de 2003, o presidente brasileiro visitará na manhã de quarta-feira o porto de Mariel - onde o Brasil tem investimentos -, terá um encontro com Fidel, presidirá a sessão de grupos de empresários de ambos os países e se reunirá com Raúl Castro.

Lula conversará com Fidel, que delegou o poder ao seu irmão quando ficou doente em 2006, sobre "assuntos da realidade internacional", segundo seu porta-voz Marcelo Baumbach. Essa deverá ser a sua última viagem oficial ao país antes de concluir seu mandato em janeiro de 2011.

Sua visita, anunciada pelo jornal oficial Granma, tem um grande significado político e, sobretudo, econômico para a ilha comunista, que necessita de investimentos em setores estratégicos que gerem divisas e dinamizem a combalida produção agrícola.

"Temos um acordo importante de investimentos para recuperar o porto de Mariel. É um investimento prioritário em Cuba. Além disso, temos interesse em fazer novas investimentos na rede hoteleira e nas estradas", disse Lula em seu programa de rádio de segunda-feira.

O Brasil aprovou créditos a Cuba de cerca de 950 milhões de dólares, 350 milhões para a venda de alimentos e 600 milhões para investimentos em agricultura e infraestrutura, principalmente no Mariel, localizado 50 km a oeste de Havana e que substituirá o porto de Havana como o principal da ilha.

Brasília elaborou um plano de créditos para Cuba de até 1,2 bilhão de dólares em 2012 e contempla também investimentos em cultivos de arroz e cana de açúcar e na indústria farmacêutica.

Um dos projetos estratégicos está no petróleo. Lula acrescentou que a gigante estatal Petrobras pretende investir em uma fábrica de lubrificantes em Havana, além da exploração de petróleo. "Queremos que tudo isso ocorra este ano", disse nesta segunda-feira.

Como parte deo interesse do Brasil de se tornar o primeiro sócio comercial de Cuba na América Latina -é o segundo atrás da Venezuela-, Lula abriu, em sua viagem anterior em 2008, um escritório de promoção ao comércio. As transações comerciais entre os dois países chegam a cerca de 650 milhões, 500 dos quais são exportações brasileiras, segundo dados oficiais cubanos.

Embora a visita seja essencialmente econômica, no plano político 50 presos políticos, que Havana considera "mercenários" de Washington, pediram a Lula em uma carta que interceda ante Raúl Castro por sua libertação. "Seria um magnífico interlocutor para" que o governo cubano faça "as reformas econômicas, políticas e sociais urgentemente necessárias" para o país, segundo a carta, entregue à imprensa estrangeira.

Lula, que nunca manteve contato com os opositores, é elogiado em Cuba como líder da integração latino-americana e apreciado por seu reiterados pronunciamentos contra o embargo aplicado pelos Estados Unidos à ilha. Após jantar com Raúl Castro na quarta-feira, Lula partirá para o Haiti no início da quinta-feira para manifestar a solidariedade com a população dessa ilha devastada pelo terremoto de 12 de janeiro, e na sexta-feira visitará El Salvador.