Política

Machezan: retirada de PL de reajuste de servidores afetará "segurança e saúde"

Prefeito tentava restringir reposição inflacionária automática do funcionalismo de Porto Alegre

Prefeito tentava restringir reposição inflacionária automática do funcionalismo de Porto Alegre
Prefeito tentava restringir reposição inflacionária automática do funcionalismo de Porto Alegre Foto : Luciano Lanes / PMPA / Divulgação CP
O prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Júnior (PSDB), criticou nesta quarta-feira o adiamento da votação do projeto para restringir a reposição inflacionária de servidores púbicos da Capital. Em nota, Marchezan alertou que a Prefeitura vai gastar cerca de R$ 95 milhões nos próximos 12 meses, por não ter conseguido aprovar o texto. Segundo ele, isso amplia o risco de falta de recursos para a conclusão de obras e serviços básicos como Segurança e Saúde.

Com plenário lotado, na Câmara de Vereadores, o líder do governo na Casa, vereador Clàudio Janta (SDD), anunciou a retirada da proposta da pauta, alegando a necessidade de mais discussões. Por conta do adiamento da votação, os servidores terão a reposição da inflação pela lei atual, que garante aumento automático a cada 12 meses. A data-base do dissídio dos municipários é 1º de maio, em pagamentos que se refletem a partir da folha seguinte, ou seja, em início de junho.

A base aliada tentou votar o projeto, mas com o recuo costurado por Janta, a discussão acabou adiada. Eram necessários 19 votos para o texto ser aprovado. Com a base rachada, os governistas não tinham votos suficientes para validar o projeto. A Câmara soma 36 vereadores. De acordo com o líder de governo, a categoria “não entendeu as dificuldades pelas quais passa a prefeitura” e vai ser preciso “amadurecer” a discussão.

Assim como vereadores de oposição, sindicatos do município dizem que a matéria põe em risco direitos adquiridos de mais de 24 mil servidores. Uma audiência pública, marcada para 19 de junho a fim de discutir o projeto, segue mantida.

Confira, na íntegra, a nota emitida pelo prefeito:

A prefeitura de Porto Alegre retirou da Câmara Municipal de Vereadores o projeto que condicionava o reajuste anual dos vencimentos dos servidores à disponibilidade orçamentária por considerar que não conseguiu convencer os vereadores de que, na atual crise econômica do município, a prioridade dos recursos deve ser para o investimento em serviços básicos, e não em salários.

Com a decisão, para manter a política de reajuste anual dos salários, vigente desde 2005, a prefeitura gastará cerca de R$ 95 minhões nos próximos 12 meses. Essa despesa comprometerá os investimentos em serviços básicos oferecidos ao cidadão, como segurança e saúde, além de impedir a conclusão de obras pela cidade, que já estão em situação precária por conta de decisões e definições de prioridades equivocadas, feitas no passado.