Política

Maia propõe que comissão da reforma política discuta Fundo Eleitoral

Presidente da Câmara afirmou que pretende instalar colegiado na próxima semana

Maia propõe que comissão da reforma política discuta Fundo Eleitoral
Maia propõe que comissão da reforma política discuta Fundo Eleitoral Foto : Leonardo Prado / Câmara dos Deputados / CP
O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nesta quinta-feira, que a comissão especial da reforma política deve discutir um novo sistema eleitoral, além de debater mudanças na nova lei adotada nesta eleição municipal, com a possibilidade da criação de um Fundo Eleitoral para financiar campanhas políticas e a antecipação dos registros das candidaturas. Ele reforçou que pretende instalar o colegiado na próxima semana.

Maia se reuniu na manhã desta quinta-feira com o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Gilmar Mendes, para tratar do tema. "Nenhuma lei é perfeita, a gente pode não apenas tratar do sistema eleitoral, mas também tratar da adaptação e da modernização da lei vigente. Precisamos resolver a questão dos registros, porque com pouco tempo de eleição ficou tudo muito embolado, ainda veremos muitos julgamentos aqui no TSE", disse Maia.

Segundo o presidente da Câmara, a ideia de antecipar os registros partiu de Gilmar para facilitar a atuação dos tribunais regionais e do tribunal superior e evitar que as instituições fiquem sobrecarregadas. Maia também voltou a afirmar que a implementação do Fundo Eleitoral no Brasil pode ser uma solução para o fim da doação de empresas. Questionado se o fundo poderia sofrer resistência da população, Maia negou. "Pior é o que a gente está vendo hoje, que beneficiários do Bolsa Família e pessoas mortas estão financiando campanhas", rebateu.

O presidente da Câmara defendeu novamente o sistema de lista fechada, em que o eleitor vota no partido, que define anteriormente quem serão os candidatos. A crítica a esse formato é que o eleitor não poderia votar em outros candidatos fora da lista. "Me disseram que o brasileiro não gosta de votar em partido, e sim em pessoas, e eu respondi 'não sei qual cidadão, porque a maior parte dos brasileiros não gosta de votar em ninguém', afirmou, referindo-se ao grande número de abstenções, votos nulos e brancos no primeiro turno da eleição municipal.

"Se a gente tiver um sistema claro, com bons exemplos como da Europa, de lista fechada, a sociedade sabe que a política tem que ser financiada. Temos que criar regras claras para que não fiquem poucas pessoas, poucos presidentes decidindo o destino das doações, e aí tem que discutir a distribuição desse fundo com a sociedade, porque não pode ficar na mão de um presidente se vai doar mais para o Estado A ou Estado B", avaliou Maia.

Maia disse que "os culpados" de o Brasil ter muitos partidos são os políticos, e que "não seria justo" que a reforma política propusesse apenas a redução de partidos. Ele acredita que é preciso responder duas perguntas para realizar a reforma política: "qual é o sistema que pode legitimar a política e qual é o sistema que pode financiar a política". Com o fim da doação de pessoa jurídica, Maia considera que o sistema atual, apenas com a doação de pessoa física e financiamento público "entrará em colapso em 2018". "Esse debate é urgente", disse.

Maia e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), fizeram um acordo há cerca de dez dias para aprovar duas propostas de reforma política até o final do ano. No Senado, já está em tramitação uma PEC que propõe o fim de coligação e a cláusula de barreira - que deve ser encaminhado para a Câmara no dia 9 e novembro. Já os deputados, através de um grupo de estudos, fariam um projeto de lei em uma comissão especial para modificar o sistema eleitoral até o final do ano. "Esse foi o acordo que se fez entre Câmara e Senado para que a gente possa acelerar a tramitação das duas propostas", explicou Maia.

Atualmente, o sistema em vigor é o proporcional para a escolha de vereadores, deputados federais e estaduais. Nesse modelo, o eleitor pode votar no candidato ou na legenda. Os eleitos são definidos após ser calculado o número de cadeiras a que a sigla terá direito. "Mais importante do que tratar apenas da redução do número de partidos é a reforma do sistema eleitoral.

Quase metade dos brasileiros não vêm votando nas últimas eleições, então esse sistema perdeu a legitimidade de representar a sociedade. É um sistema que ficou com muitas lacunas porque o Congresso cometeu alguns erros e o próprio Supremo Tribunal Federal declarou algumas decisões nossas (dos deputados) inconstitucionais, como a questão dos novos partidos, do fundo partidário e do tempo de televisão, que gerou a criação de mais partidos."