Em outras cidades de porte, como Bento Gonçalves e Santa Cruz do Sul, para impedir a vitória de aliados do governo do Estado, e diante da inexistência de candidatos naturais, o PMDB optou por buscar líderes de outros municípios. O deputado estadual Alexandre Postal, ex-prefeito de Guaporé, transferiu o domicílio eleitoral para Bento. O colega Edson Brum, de Rio Pardo para Santa Cruz do Sul.
"Em alguns lugares falta candidato, em outros sobra. Isso é assim em qualquer partido, inclusive nos três grandes, o PMDB, o PT e o PP", alega o presidente estadual da sigla, Ibsen Pinheiro. Ele admite, contudo, que as soluções em Porto Alegre e Caxias do Sul precisam ser negociadas. E evita falar de Pelotas e Canoas. Na última, o diretório municipal fechou apoio ao atual prefeito, o petista Jairo Jorge. "Não tem apoio fechado coisa nenhuma. O que decide é a convenção. E, se necessário, pode haver intervenção do diretório estadual em Canoas", afirma o deputado federal Osmar Terra (PMDB).
Defensor da candidatura própria nos principais municípios gaúchos, Terra ameaçou trocar o domicílio eleitoral, de Santa Rosa, onde foi prefeito, para Porto Alegre. Disse que mudou de ideia ao conversar com Ibsen e o presidente do diretório metropolitano, o vereador Sebastião Melo, e ter certeza de que um deles ou o colega de bancada Alceu Moreira sairá candidato. Ibsen afirma que o deputado capitulou após reações ocorridas em sua região.
Indicar vice é tendência na Capital
O vereador Sebastião Melo e o ex-deputado Luiz Fernando Záchia, que controlam o diretório do PMDB na Capital, defendem uma coligação na qual a sigla indique o vice - preferencialmente ao PDT do prefeito e candidato à reeleição José Fortunati. O partido vive situação semelhante no segundo maior colégio eleitoral, Caxias do Sul. O prefeito José Ivo Sartori (PMDB) reelegeu-se em 2008 e agora o "candidato natural" de sua ampla coligação é o deputado estadual Alceu Barbosa Velho (PDT). Ex-vice de Sartori, Barbosa Velho deixou o cargo para disputar uma cadeira na Assembleia.
O PMDB caxiense cogita também o nome do vereador Mauro Pereira, mas, como na Capital, estuda os movimentos do principal adversário, o PT. Em Caxias, o PT ventila o nome do deputado federal Pepe Vargas, que foi prefeito duas vezes. O PT estadual, contudo, se divide quanto às vantagens de Pepe voltar a comandar Caxias. Neste caso, sua cadeira na Câmara será ocupada por Paulo Ferreira. No Estado, Ferreira é considerado uma espécie de porta-voz de José Dirceu, ex-chefe da Casa Civil da Presidência e deputado cassado.