Política

Mantega prestará hoje depoimento em ação contra chapa Dilma-Temer

Dilma conta com ex-ministro para desmentir acusações de Marcelo Odebrecht no TSE

Mantega prestará hoje depoimento em ação contra chapa Dilma-Temer
Mantega prestará hoje depoimento em ação contra chapa Dilma-Temer Foto : Elza Fiúza / ABr / Divulgação / CP
O ex-ministro Guido Mantega prestará na noite desta quinta-feira depoimento em ação que pode terminar com a cassação da chapa Dilma-Temer, eleita no pleito de 2014. Segundo informações do jornal o Estado de São Paulo, embora Mantega tenha sido demitido pela imprensa, a ex-presidente Dilma Rousseff espera que ele desminta no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) as acusações de Marcelo Odebrecht, que afirmou que o ex-ministro era o interlocutor para arrecadar recursos irregulares na campanha. A sessão ocorrerá a partir das 20h. 

A oitiva de Mantega foi autorizada pelo tribunal nessa terça-feira, a pedido da defesa de Dilma. Na prática, a autorização resultou na reabertura da fase de instrução do processo, estágio em que as defesas ainda podem solicitar novas providências para a produção de provas. O advogado de Dilma, Flávio Caetano, afirmou que irá fazer novas petições. O despacho que marcou a oitiva de Mantega foi assinado pelo juiz auxiliar Bruno Lorencini. Mantega será ouvido no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP). 

Mantega chegou a ser preso em setembro do ano passado temporariamente pela Polícia Federal (PF) na 34ª fase da Lava Jato, denominada Arquivo X. Ele foi solto no mesmo dia. Mantega foi ministro da Fazenda por mais de oito anos, entre 2006 e 2014, e participou do segundo governo de Luiz Inácio Lula da Silva e do primeiro mandato de Dilma Rousseff.

O que está sendo julgado?

O pedido de cassação da chapa Dilma-Temer começou com uma ação de investigação judicial eleitoral (Aije), com o objetivo de investigar fatos ilícitos ocorridos durante a campanha. Após a diplomação de Dilma Rousseff como presidente da República, foi proposta uma ação de impugnação de mandato eletivo (Aime). As duas ações tratam do mesmo assunto e serão julgadas em conjunto nas mesmas sessões no TSE.

Como funciona o rito do julgamento?

A última etapa do processo foi concluída em 28 de março pelo relator, o ministro Herman Benjamin, que enviou aos demais integrantes do TSE o relatório final. Ao concluir o processo, Herman pediu a Gilmar Mendes a inclusão do processo na pauta, de acordo com a Lei de Inelegibilidade (Lei Complementar 64/1990).

Foram investigados por Benjamin desvios na contratação de gráficas e o recebimento de recursos não declarados durante a campanha. O ministro investigou também repasses possivelmente ilegais feitos pela empreiteira Odebrecht, cujos indícios foram revelados pela Operação Lava Jato.

Fases

O presidente do TSE concederá a palavra, da tribuna, aos advogados de acusação e de defesa de Dilma e Temer. Logo após, será facultada pelo presidente a palavra ao representante do Ministério Público Eleitoral (MPE) para suas ponderações. De acordo com o regimento da Corte, cada uma das partes poderá falar pelo prazo improrrogável de 10 minutos.

Na condição de relator, de acordo com o regimento interno do TSE, o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Herman Benjamin, deverá começar o julgamento com a leitura do relatório da ação, que traz um resumo das diligências feitas, dos depoimentos e provas coletados, das perícias e das providências solicitadas por ele durante a fase de instrução processual.

Encerradas essas etapas, o ministro Herman Benjamin apresentará o seu voto. Na sequência votam os ministros Napoleão Nunes Maia, Henrique Neves, Luciana Lóssio, Luiz Fux (vice-presidente do TSE),Rosa Weber e, por último, Gilmar Mendes.

O tribunal examinará uma série de questões preliminares interpostas pelos defensores de Dilma e Temer na primeira sessão. Além disso, os advogados de ambos solicitaram mais prazo para análise de provas, em especial as relacionadas aos depoimentos de ex-executivos da Odebrecht, que prestaram esclarecimentos a Benjamin somente no estágio final da fase de instrução. Gilmar Mendes confirmou que, independentemente do resultado do julgamento, o STF deve receber recursos da ação.