Aos 39 anos, Manuela D’Ávila (PCdoB) disputa pela terceira vez a prefeitura da Capital. Antes, competiu também em 2008 e 2012. Esta, contudo, é a primeira vez que passa para segundo turno, após entrar na corrida com alguns diferenciais importantes. Participa dela após, em 2018, ter concorrido como vice na disputa presidencial, na chapa encabeçada por Fernando Haddad (PT), o que lhe garantiu projeção nacional ainda maior do que à época em que foi deputada federal. E sua aliança, apesar de pouco numerosa (só dois partidos), tem o PT, que indicou o vice, o ex-ministro Miguel Rossetto.
A nova corrida pelo comando da Capital acontece 16 anos depois de a candidata obter seu primeiro mandato, em 2004, quando, aos 23 anos, se elegeu a vereadora mais jovem de Porto Alegre. Ela havia se filiado ao PCdoB em 2001 e, desde 1999, era da União da Juventude Socialista (UJS). Na eleição de 2004, ante os poucos segundos de que dispunha na propaganda eleitoral, alcançou visibilidade citando sempre uma proposta acompanhada do bordão “E aí, beleza?” Dois anos depois, em 2006, ainda na metade do mandato, disputou uma vaga na Câmara dos Deputados e se elegeu a deputada federal mais votada no Estado. Repetiu o título em 2010, quando disputou a reeleição para a Câmara, e obteve novo recorde de votos.
Em 2014 externou sua vontade de voltar ao Estado. Concorreu então a uma vaga na Assembleia Legislativa. E, mais uma vez, foi a mais votada. Em 2018, após a disputa presidencial, ficou sem mandato. Fundou então o instituto E se fosse você?, voltado para o combate às fake news e à disseminação dos discursos de ódio nas redes sociais.
Jornalista e mestre em Políticas Públicas, de 2019 para cá lançou três livros: “Revolução Laura”, “Por que lutamos?” e, recentemente, “E se fosse você?”. Seu entorno na campanha que obteve sucesso ao segundo turno concentrou um grupo restrito, mas leal, integrado por nomes como o do presidente municipal do PCdoB, Adalberto Frasson, o do coordenador da campanha, Márcio Cabreira, oriundo do PPL, e o do estrategista de marketing Juliano Corbellini.