Marchezan avalia reação de Porto Alegre à greve dos caminhoneiros e pede o fim da mobilização
Para o prefeito, o município se antecipou aos problemas na maior parte dos serviços essenciais
Desde o início da greve, conforme o Marchezan, a prefeitura tem coordenado ações junto dos hospitais para avaliar quais os serviços deveriam ser suspensos ou ampliados, além de quais insumos precisariam ser poupados. A ação do município também tem ocorrido junto aos postos de combustíveis, avaliando quais estão capacitados para atender e viabilizando uma distribuição junto às empresas de ônibus para que, pelo menos até quinta-feira, haja atendimento normal nos horários de pico. Há, ainda conforme o prefeito, uma ação direta nos serviços urbanos, pois, além da coleta dos resíduos, tem sido necessário armazená-los, já que não há como realizar o transbordo com a paralisação.
Outro serviço importante que tem tido atenção, conforme Marchezan, é o abastecimento de água, já garantido para as próximas semanas. A prefeitura, segundo ele, também está adiantando o abastecimento de alimentação para as mais de 400 entidades que compõem a assistência social do município, responsável por atender 287 mil pessoas por ano. “De alguma forma, as necessidades básicas estão supridas, mas é evidente que isso [a greve dos caminhoneiros] já modificou e vai modificar ainda mais, de uma forma prejudicial, a vida normal dos habitantes das cidades”, comentou.
Por isso, o chefe do Executivo entende que deve ocorrer o fim da greve, pois, na sua visão, ela já tem refletido em problemas no abastecimento de alimentos e suprimentos que vão comprometer o bem-estar, a saúde e a segurança dos cidadãos. “Chegou o momento de cessar o movimento, porque ele já perdeu o controle, já passou os limites de manifestar o seu desagrado com o que tá acontecendo. A gente tem expectativa, sim, que a greve perca força agora e se possa reestabelecer um diálogo mais coerente no sentido da distribuição dos recursos públicos do Brasil, dos estados e dos municípios, mas que esse formato de pressão cesse.”
O prefeito de Porto Alegre também avaliou que, apesar de o governo federal ter cedido com relação ao preço do diesel, as soluções definitivas carecem de uma revisão das despesas do poder público como um todo. “Não há mágica. Enquanto a máquina pública continuar aumentando suas despesas, essa diminuição tributaria é um sonho. Ela só se transforma em realidade quando realmente houver a suspensão de aumentos automáticos ou cortes de despesas reais. Enquanto isso não acontecer, a gente vai viver de soluços, de greves localizadas, de movimentos de interesses individuais e vai esquecer do interesse publico, que nesse momento é o que mais precisa de atenção.”
Na visão do prefeito, que afirma que não acompanha mais a pauta federal da maneira que costumava fazer quando era deputado, faltou informação ao governo do presidente Michel Temer com relação ao que estava acontecendo nos últimos dias. “Deixou um setor específico se mobilizar e, efetivamente, dominar a vida dos brasileiros”, disse Marchezan, que, no entanto, também afirmou que esse domínio não é recente, mas reflexo de investimentos que o país deixou de fazer no passado para atender interesses privados.