Com uma série de medidas que dependem de aval da Câmara Municipal para serem colocadas em prática, o governo do prefeito Nelson Marchezan Júnior terá de se preparar para uma queda de braço no Legislativo nos próximos meses. Atualmente, a base aliada de Marchezan na Casa é formada por 11 vereadores. A oposição conta com sete representantes e há dois blocos formados por partidos que se classificam de independentes e somam 18 vereadores.
O procurador-geral do município, Bruno Miragem, recebeu a tarefa de analisar juridicamente as ações que precisam passar pelo plenário da Câmara e as que podem ser implementadas por meio de decretos de Marchezan. Entre as que dependem de votação, estão a criação de um Cadastro Informativo de créditos não quitados (Cadin) municipal, o estabelecimento de teto aos servidores e alterações em funções gratificadas. Com minoria no Legislativo, além da preocupação com eventuais derrotas em planos considerados essenciais, o governo terá de ficar atento para que não sejam aprovadas propostas de origem parlamentar, principalmente da oposição, que podem ter impacto e causar dificuldades para o Executivo.
Desde a campanha, Marchezan sustenta que não cederá à lógica da política tradicional, em que não raro, interesses e cargos ditam a forma como se dá a relação entre Executivo e Legislativo. Até aqui, escolhas para cargos de primeiro escalão e vagas estratégicas mostraram que o tucano está tentando aplicar o discurso na prática. Resta saber se Marchezan não irá ceder à pressão que já começou a ser exercida por partidos e vereadores. A movimentação e os placares das votações na Câmara dirão.
Para evitar reprise
Integrantes do primeiro escalão do governo Marchezan têm a preocupação de evitar, em Porto Alegre, uma reprise da gestão da tucana Yeda Crusius no Estado. A avaliação é a de que Yeda conseguiu formar um time de qualidade técnica inquestionável, mas que sua administração, politicamente, foi um desastre.
Marchezan terá queda de braço com Câmara de Vereadores para aprovar projetos
Teto para servidores e alterações em funções gratificadas dependem de votação