Política

Marco Civil mantém neutralidade da transmissão de dados na internet

Texto que será avaliado no Congresso impede que provedores privilegiem algum tipo de dado

Marco Civil mantém neutralidade da transmissão de dados na internet
Marco Civil mantém neutralidade da transmissão de dados na internet Foto : Fabio Rodrigues Pozzebom / ABr / CP
O novo texto do relatório do Marco Civil da Internet, apresentado nesta terça-feira, mantêm o princípio da neutralidade de rede e determina que a questão da criação de datacenters no Brasil seja regulamenta por meio de um decreto do Executivo. Redigido junto com o Palácio do Planalto, o texto foi apresentado pelo relator, deputado Alessandro Molon (PT-RJ), que ressaltou como pilares da proposta a já citada neutralidade de rede, a privacidade do usuário e a liberdade de expressão. O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, decidiu adiar a análise da matéria pelo Plenário para assegurar um tempo maior de discussão dos pontos mais polêmicos do relatório. Uma comissão geral nesta quarta-feira fará parte desse esforço.

Quanto ao princípio da neutralidade, principal ponto de controvérsia, o petista pontuou que não deverá recuar. De acordo com a proposta, não deve haver qualquer tipo de privilégio na transmissão dos dados, independentemente de conteúdo, origem e destino, serviço, terminal ou aplicativo. Dessa forma, ficaria impedido de se criarem "pacotes" para se ter acesso a determinados conteúdos. As empresas de telecomunicação se queixam desse modelo, sob alegação de que a regra poderia engessar o crescimento das redes. "Se a neutralidade for derrubada, não estarão votando contra o relator, mas contra 100 milhões de internautas", enfatizou Molon, que ressaltou que o texto apresentado nesta terça foi discutido ponto a ponto com a presidente Dilma Rousseff.

"O Poder Executivo, por meio de decreto, poderá obrigar os provedores de conexão e de aplicações de internet que exerçam suas atividades de forma organizada, profissional e com finalidades econômicas a instalarem ou utilizarem estruturas para armazenamento, gerenciamento e disseminação de dados em território nacional", aponta o artigo 12 do relatório. Neste ponto deverão ser considerados o porte dos provedores, seu faturamento no Brasil e a amplitude da oferta do serviço ao público.

Ficou estabelecido, em relação à questão dos direitos autorais, que será aplicada a regra atual. Segundo Molon, o debate desse artigo deve ser feito em outra proposta. "Nunca dissemos que iríamos fazer o debate do direito autoral no Marco Civil", argumentou o petista. O texto apresentado pelo relator deverá ser distribuído para os líderes partidários da Casa, mas ainda não há previsão de quando a matéria irá a votação no plenário.


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