Política

Marco Maia nega pedágio em CPI da Petrobras e diz que vai processar Delcídio

Casa de deputado federal gaúcho foi alvo de nova fase da Lava Jato

Marco Maia nega pedágio em CPI da Petrobras e diz que vai processar Delcídio
Marco Maia nega pedágio em CPI da Petrobras e diz que vai processar Delcídio Foto : Fábio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil / CP Memória
A operação Deflexão, desencadeada nessa segunda-feira pela Polícia Federal, esteve na casa do deputado Marco Maia (PT-RS) para investigar uma suposta participação do parlamentar em esquema que relacionou cobrança de pedágios para evitar depoimentos de empreiteiros na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras. Em entrevista à Rádio Guaíba nesta terça, Maia se mostrou indignado com a delação do ex-senador Delcídio do Amaral, que originou a ofensiva, e afirmou que pretende acioná-lo judicialmente. 

"Eu gostaria de externar a minha perplexidade com essa operação que faz parte de um inquérito que tramita há seis meses. Durante esse período eu nem fui chamado. Isso tudo faz parte uma delação premiada cheia de mágoas, porque um dos protegidos de Delcídio do Amaral, Nestor Cerveró, foi ferido no processo da Lava Jato. Eu não tenho nada a temer e inclusive vou acionar o Delcídio judicialmente com uma ação de perdas e danos", afirmou Marco Maia.  

Maia declarou que a ação, que contou com parceria da PF, Ministério Público Federal e Receita Federal, foi "espetaculosa". "Foi uma ação completamente desncessária, sem nenhum propósito que não seja criar um fato político com o objetivo de desgastar a imagem do Partido dos Trabalhadores ou de deputados ligados à sigla. Uma operação sem necessidade alguma", acrescentou.  

O deputado petista afirmou que tem a relação de documentos que foram retirados de sua casa na operação da PF. "Estou sendo investigado desde maio e, se eu tivesse algo, ou documento suspeito, o papel estaria na minha casa? Não tenho nada a temer e sei que conta de luz, IPTU e uma procuração estão entre os itens levados. É um aburdo o que fizeram. Até levaram a conta de telefone da minha esposa", protestou. 

Cancelamento de delação 

Ao ser questionado sobre a colaboração do ex-presidente da OAS Léo Pinheiro para as investigações, Marco Maia afirmou que nenhum depoimento dele foi dado de forma oficial. "De 10 pessoas que prestaram esclarecimentos no processo, nove não citam o meu nome. Os presos passam por tortura e praticamente mentem para sair daquela situação. Até disseram que eu tinha uma irmã, mas eu não tenho", completou. 

O deputado gaúcho confirmou que irá pedir o cancelamento da delação do lobista Júlio Camargo. "Ele (Júlio Camargo) disse que teve uma reunião comigo e que depois disso foi procurador por um operador meu. Eu nem conheço esse cidadão. Eu já pedi o cancelamento do depoimento dele porque ele mente de forma descarada", disparou. 

Maia relatou ainda que não mora em uma mansão em Canoas e disse que a propriedade foi construída ao longo de quatro anos. "Eu trabalho há 37 anos e o meu primeiro carro foi comprado com 19. A minha casa teve o terreno financiado em 48 parcelas, pagas com renda familiar. Minha esposa e eu temos renda declarada. É muita mentira e muita conversa", enfatizou.