A ex-ministra Marina Silva, candidata derrotada do PSB à Presidência, e o governador reeleito de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), reforçaram no fim de semana as pressões da oposição por mudanças na diretoria da Petrobras, alvo de suspeitas após a operação Lava Jato revelar esquemas de corrupção na estatal.
"É preciso mudar a diretoria da Petrobras", disse Marina, em entrevista exibida na Globo News na madrugada deste domingo. "Essa diretoria foi nomeada, foi mantida durante todos esses anos e não teve a competência e o compromisso para evitar o que foi feito. É preciso e de uma forma urgente que seja feita essa mudança, em nome do interesse público", acrescentou.
Durante a entrevista, Marina ressaltou o fato de a empresa ter perdido valor de mercado nos últimos anos e disse que algumas pessoas assumiram cargos na diretoria "para se servir e não servir aos brasileiros". "É isso que precisa acabar." Alckmin, que neste domingo participou de uma homenagem ao ex-governador Mário Covas, afirmou que os casos de corrupção na Petrobras fazem parte de uma "doença sistêmica". "O que parece é que não é uma questão pontual", afirmou.
Questionado sobre uma eventual substituição da diretoria da estatal, Alckmin disse ser a favor "não só de mudança de pessoas, mudança de métodos". Para ele, "os processos de licitação devem estar todos errados".
O governador citou ainda o caso de Pedro Barusco, ex-gerente executivo da Diretoria de Serviços, que fechou acordo de delação premiada em que se comprometeu a devolver cerca de US$ 100 milhões e contar o que sabe sobre o esquema de corrupção e propina na estatal. "É inacreditável um funcionário do terceiro escalão numa delação premiada propor devolver R$ 200 milhões." Alckmin afirmou que o caso da Petrobras não tem semelhança com as investigações de cartel de trens no Estado. "São Paulo não tem nada comprovado, há uma suspeita de cartel onde o governo é vítima", disse.
Marina e Alckmin reforçam pressão da oposição por mudanças na Petrobras
Empresa é alvo de suspeitas após a operação Lava Jato revelar esquemas de corrupção