A ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (Rede) advertiu, nesta sexta-feira, que a maioria das lideranças políticas do País opera contra os avanços da Operação Lava Jato. Contrária a uma eleição indireta para a vaga de Michel Temer, Marina defendeu as investigações e considerou que os resultados da força-tarefa trazem resultados efetivos para a população. A ex-senadora falou para o programa Esfera Pública, da Rádio Guaíba. Além disso, ela rechaçou a teoria de parte do PT de que existe seletividade nos processos da Lava Jato.
“Eu não concordo que há seletividade. O que está acontecendo no Brasil é um trabalho que a história do Brasil vai agradecer a essa nova geração de juízes, policiais federais e agentes do Ministério Público. A Lava Jato está ajudando a fazer uma reforma política, na prática”, avaliou.
Com mais de 22 milhões de votos computados no pleito presidencial em 2014, Marina Silva desconstruiu a tese de que tenha entrado em ostracismo político em meio à tempestade política.
“Eu não costumo ter prática de ficar me insinuando para os jornalistas para poder aparecer em programas de TV ou rádio. Desde 2015, eu estou dizendo que o certo era a cassação pelo TSE e a convocação de eleições diretas. Agora, graças a Deus está todo mundo concordando com essa tese, que antes era rechaçada”, disparou.
Marina ponderou ainda que pertence a um grupo opositor à polaridade política – PT/PMDB/PSDB – e que parte do eleitorado pensa, em função disso, que ela precisa de mais representatividade. “Quando não se está nos polos, as pessoas dizem que você não está falando”, sintetizou.
Marina também classificou como desserviço à população especular nomes para sucessão indireta de Temer, uma vez que o cargo continua sendo conduzido pelo peemedebista. “O mais adequado agora é termos a garantia de que a Justiça Eleitoral faça o mesmo trabalho que está sendo feito pela Justiça criminal, mostrando que o crime não compensa, cassando a chapa Dilma-Temer”, frisou.
Questionada se vai voltar a disputar o Palácio do Planalto em 2018, Marina despistou: “Eu ainda não sei, estou fazendo o meu discernimento”, resumiu. A ex-ministra também negou que tenha convidado o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, para compor uma chapa majoritária no ano que vem. “Isso não é verdade”, reforçou.
Em 2014, Marina Silva apoiou o então candidato à República, senador Aécio Neves (PSDB-MG), no segundo turno. A ex-senadora falou sobre o envolvimento do tucano em crimes de corrupção e, questionada se está arrependida, justificou: “Com as informações que eu tinha e a sociedade tinha, eu tenho certeza que a maioria dos eleitores que votaram em Dilma ou Aécio não sabia do nível de envolvimento que eles tinham nesses casos graves de corrupção, trazidos pela Lava Jato”, concluiu.
Marina Silva rechaça seletividade na Lava Jato e defende cassação de Dilma/Temer
Ex-senadora despistou ao ser questionada se disputará o Palácio do Planalto em 2018