Política

Mauro Cid nega coação da PF em delação e diz que áudios foram “desabafo”

Ex-ajudante de ordens de Bolsonaro foi encaminho à prisão no Batalhão de Polícia do Exército

Ex-ajudante de ordens de Bolsonaro foi ouvido por auxiliar de Alexandre de Moraes
Ex-ajudante de ordens de Bolsonaro foi ouvido por auxiliar de Alexandre de Moraes Foto : Antonio Cruz / ABr / Divulgação CP

O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da presidência no governo Jair Bolsonaro, negou em depoimento nesta sexta-feira ter sido coagido em sua colaboração premiada. Ele foi ouvido por um juiz auxiliar do gabinete do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após virem a público áudios em que ele sugere ter sido pressionado pela Polícia Federal (PF) a confirmar uma “narrativa pronta”. Posteriormente, foi encaminhado à prisão no Batalhão de Polícia do Exército.

“Nunca houve induzimento às respostas. Nenhum membro da polícia federal o coagiu a falar algo que não teria acontecido”, afirmou. Cid também negou ter vazado o áudio. Ele comentou que fez um “desabafo” em uma conversa privada e que não sabe como a mensagem foi divulgada. Disse ainda que não lembra exatamente com quem conversou.

Nos áudios divulgados pela revista Veja, o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro declara que os investigadores da PF apenas queriam que o militar “confirmasse a narrativa” deles, no inquérito que apura a suspeita de tentativa de golpe. “Eles já estão com a narrativa pronta. Eles não queriam saber a verdade. É isso que eles queriam, e toda vez eles falavam: 'Olha, a sua colaboração tá muito boa'. Ele (investigador) até falou: 'Vacina, por exemplo, você vai ser indiciado por nove tentativas de falsificação de vacina, vai ser indiciado por associação criminosa', e mais um termo lá”, reclamou Cid.

Em um outro trecho, Cid diz que a PF queria que ele falasse coisas que ele não sabia e que não aconteceram. "Não adianta, você pode falar o que você quiser. Eles (PF) não aceitavam e discutiam que a minha versão não era verdadeira, que não podia ser assim, que eu estava mentindo.”