Política

Meirelles nega "plano B" para reforma da Previdência

Ministro da Fazenda disse que governo foi "surpreendido pela notícia"

Ministro da Fazenda disse que governo foi "surpreendido pela notícia"
Ministro da Fazenda disse que governo foi "surpreendido pela notícia" Foto : Valter Campanato / Agência Brasil / CP
O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, negou nesta segunda-feira que o governo tenha preparado um plano B para viabilizar a reforma da Previdência, diante do atraso na análise da proposta pelo Congresso. Segundo Meirelles, que participou nesta segunda de fórum realizado pela revista Exame para discutir as mudanças na aposentadoria, o governo foi surpreendido pela notícia de um plano B publicada por jornais.

"Não é real. Eu próprio fui surpreendido pela notícia no jornal. O Marcelo (Caetano, secretário da Previdência) também. Todos fomos surpreendidos. Ninguém tinha ouvido falar isso", disse. Após o evento, Meirelles reafirmou a jornalistas que o governo não pretende fazer a reforma da Previdência por medida provisória, o chamado plano B. "Temos só um plano que é o plano da reforma da Previdência por emenda constitucional. E temos trabalhado nisso."

O secretário da Previdência, Marcelo Caetano, também negou que o governo cogite outra via para a reforma que não seja a legislativa. "Só trabalho com plano A. Na minha perspectiva, a aprovação é plano A". Segundo Caetano, a expectativa, com base em conversas com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) é que a reforma seja aprovada na Câmara na primeira quinzena de junho e depois siga para votação no Senado.

Meirelles minimiza atraso da reforma

Para Meirelles, o eventual atraso na aprovação em relação à previsão inicial do governo não prejudicará o ajuste pretendido com a reforma. "Se houver atraso de alguns meses, não será isso que vai fazer uma diferença enorme do ponto de vista fiscal a longo prazo. No entanto, para formação da expectativa, para continuar aumentando o grau de confiança para as pessoas investirem, produzirem, consumirem, é importante que a reforma seja aprovada o mais rápido possível." Cenários Durante o evento, o ministro afirmou que tem mantido o trabalho de convencimento de parlamentares pela aprovação das mudanças na aposentadoria.

Meirelles projetou apresentar dois cenários aos congressistas: o primeiro em que o Brasil cresce e gera emprego, com inflação baixa: "E ele (deputado) poderá dizer que contribuiu com isso quando disputar a eleição". O segundo cenário, segundo Meirelles, é de um Brasil sem crescimento, com inflação elevada e ameaça de desemprego.

O ministro da Fazenda voltou a afirmar que a sustentabilidade do ajuste fiscal que o governo vem fazendo dependem da aprovação das mudanças na Previdência. "Acho que as reformas já aprovadas já garantem que, a curto prazo, o Brasil entre em uma trajetória de crescimento. A questão aí é a sustentabilidade. Sem a reforma da Previdência, esse tempo fica ameaçado dentro de alguns anos, três ou quatro anos. Portanto, é importante que a reforma passe", destacou.