A prisão do ex-presidente do Peru, Pedro Castillo, no dia 7 de dezembro de 2022, teria sido um motivo para o ex-presidente da República Jair Bolsonaro não avançar na tentativa de um golpe. Essa foi a avaliação do tenente-coronel Sérgio Cavaliere, do Exército, um dos 37 indiciados pela tentativa de golpe de Estado em 2022.
De acordo com a Polícia Federal, esta também é a avaliação de uma espécie de “Núcleo de Desinformação e Ataques ao Sistema Eleitoral”. As acusações, no entanto, são negadas por Bolsonaro. As informações são do site R7.
Bolsonaro tem uma nova justificativa para o resultado das eleições daquele ano, acusando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de beneficiar seu adversário. Em entrevista, o ex-presidente, que reiteradas vezes colocou em xeque a lisura do processo eleitoral brasileiro - sem apresentar nenhuma prova disso - diz agora que o TSE 'pesou na balança' para o Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Uma coisa pesou, e muito, nessa balança. Quando o TSE resolveu fazer uma campanha, gastou dinheiro com isso, para que jovens de 16 e 17 anos tirassem o título eleitoral”, argumentou.
Para o ex-presidente agora indiciado, a campanha teria feito com que mais eleitores com propensão a votar na esquerda 'desequilibrassem' o resultado eleitoral, do qual Lula saiu eleito com pouco mais de 2,1 milhões de votos de diferença.
“E essa garotada, em especial aquelas que foram tirar o título de última hora, que são as que têm menos informações, três quartos votam no PT, na esquerda. Ou seja, um pouco mais de quatro milhões de jovens tiraram o título de eleitor. Só aí, três milhões para o Lula, um milhão para mim. Eu estou sendo até... me beneficiando, porque acho que esse percentual é até maior para o lado de lá”, disse Bolsonaro aos jornalistas.
O novo raciocínio marca uma virada nos argumentos usados pelo ex-presidente para justificar sua derrota, que até então era atrelada sem provas a fraude eleitoral - desmentida com evidências em diversas ocasiões pela Justiça Eleitoral. “Obviamente isso pesou na balança. Não estamos aqui falando de fraude eleitoral, de jeito nenhum”, recuou Bolsonaro.
O ex-presidente tem tentado se defender das acusações de que ele liderou uma organização criminosa para se manter no poder após perder as eleições de 2022, tese apontada no relatório final da investigação da Polícia Federal (PF) entregue à Procuradoria-Geral da República (PGR) nesta terça-feira.
Bolsonaro e os outros 36 indiciados, caso virem réus, vão responder pelos crimes de golpe de Estado, abolição violenta e Estado democrático de Direito e organização criminosa. Somadas, as penas podem chegar a 28 anos de prisão pelos crimes citados.