Política

Ministério Público pede ao TSE que reconheça cassação de Cláudio Castro

Órgão eleitoral argumenta que acórdão do julgamento anterior registrou apenas inelegibilidade por oito anos

Ministério Público pede ao TSE que reconheça cassação de Castro
Ministério Público pede ao TSE que reconheça cassação de Castro Foto : Fernando Frazão / Agência Brasil

O Ministério Público Eleitoral (MPE) solicitou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que reconheça a cassação do diploma do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL), condenado por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.

O acórdão do julgamento, publicado no mês passado, registrou a inelegibilidade de Castro por oito anos e deixou de formalizar a cassação do diploma, citando que foi "prejudicada" pela renúncia do então governador na véspera do julgamento. Para o MPE, a ausência dessa sanção pode criar "incentivo" para que a punição seja contornada.

Trata-se da anulação do documento (diploma) que atesta a vitória do candidato e confirma que ele foi eleito de forma legítima. Na prática, a punição invalida o resultado eleitoral. Já a perda de mandato diz respeito apenas ao exercício do cargo.

No recurso apresentado, o vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa, aponta contradição entre o resultado do julgamento e o que foi publicado no acórdão. Ele lembra que os ministros formaram maioria para aplicar a cassação do diploma, o que deixa prejudicada apenas a perda do mandato, e pede que seja feito o esclarecimento.

Votaram expressamente pela cassação do diploma os ministros Isabel Gallotti, Estela Aranha e Floriano de Azevedo Marques. Cármen Lúcia e Antonio Carlos Ferreira consideraram prejudicada apenas a perda do mandato, sem afastar a cassação do diploma. Já Kassio Nunes Marques e André Mendonça foram contrários à sanção.

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Tanto Castro quanto o ex-vice-governador, Thiago Pampolha, renunciaram aos cargos antes do desfecho do caso, o que, para o Ministério Público Eleitoral, foi uma "manobra jurídica para evitar a cassação pela fraude eleitoral".

Espinosa afirma que aceitar que a renúncia impede a cassação do diploma seria "premiar a estratégia processual de esvaziamento das consequências jurídicas do ilícito eleitoral" e criar um mecanismo de "blindagem" contra a Justiça Eleitoral.

O MPE também sinalizou que, caso o TSE não esclareça o resultado, a questão poderá ser levada ao Supremo Tribunal Federal (STF). A Corte começou a analisar ação apresentada pelo PSD que questiona se a eleição para o mandato-tampão deve ser direta ou indireta, mas o julgamento foi suspenso e ainda não tem data para ser retomado.

No último dia 28, aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes (PSD) entraram com recurso no TSE para saber se Castro teve o diploma cassado.