O ministro da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy, pediu demissão nesta sexta-feira, um dia antes da convenção do PSDB. O deputado Carlos Marun (PMDB-MS), relator da CPMI da JBS, deve assumir o lugar de Imbassahy, cuidando da articulação política com o Congresso num momento em que o governo tenta votar a reforma da Previdência na Câmara.
Em carta de três páginas enviada ao presidente Michel Temer, Imbassahy disse que foi um grande desafio atuar na função em um período de radicalização pós-impeachment, com uma grande fragmentação partidária, "em meio a enormes dificuldades econômicas e fiscais".
"Agora precisamos novamente do apoio do Congresso para avançar com a reforma da Previdência, garantindo sustentabilidade ao sistema em benefício das próximas gerações", escreveu o ex-ministro, que reassumirá seu mandato de deputado federal.
Na carta, Imbassahy não menciona o racha do PSDB, que neste sábado elegerá o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, para a presidência do partido. Até agora, os tucanos estão divididos e a maioria não avaliza as mudanças propostas por Temer para a aposentadoria. Ao dizer que "novas circunstâncias se impõem no horizonte", o ex-ministro afirma que o PSDB "decidiu apoiar o governo sem contrapartida alguma, além de um compromisso programático".
Na prática, a saída de Imbassahy da equipe dilui o impacto político da convenção do PSDB. "Essa questão do desembarque do governo é página virada", disse o líder da bancada do PSDB na Câmara, Ricardo Tripoli (SP). O titular das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, permanecerá no posto. A ministra dos Direitos Humanos, Luislinda Valois, deverá deixar o cargo nos próximos dias.
Confira a íntegra da carta:
"Senhor Presidente, Michel Temer
Fazer parte do seu governo foi, para mim, uma honra. Atuar na articulação política em um período de radicalização pós-impeachment, com uma grande fragmentação partidária, em meio a enormes dificuldades econômicas e fiscais, representou um grande desafio. Sob extraordinárias turbulências políticas, foram enviadas ao Congresso Nacional
proposições relevantes e transformadoras para o país, a exemplo da nova Lei Trabalhista e da reforma do Ensino Médio. Levadas ao voto, todas aprovadas. Agora precisamos novamente do apoio do Congresso para avançar com a reforma da Previdência, garantindo sustentabilidade ao sistema em benefício das próximas gerações. Trabalhei sempre com o foco em manter a estabilidade política do país, por acreditar que, sem ela, avanços necessários não são possíveis, e com a esperança de estar contribuindo para um futuro melhor para os brasileiros. Não há dúvidas de que o país tem trilhado momentos decisivos. A economia saiu da mais profunda recessão. A democracia brasileira se fortaleceu. Executivo e Parlamento governam juntos em razão da sua capacidade de liderança, de diálogo, de temperança e da coragem em fazer o que precisa ser feito. Tenacidade e obstinação não lhe faltaram. Driblou crises e dificuldades, sempre valorizando e robustecendo as nossas instituições. Presidente, assisti também a momentos de sofrimento por ataques virulentos que recebeu e a sua implacável resistência sempre pensando no melhor para o país. O Brasil saiu do atoleiro no qual se encontrava e não parou. Pelo contrário, estamos seguindo em frente, embora ainda muito esteja por ser feito. Agora, senhor Presidente, novas circunstâncias se impõem no horizonte. Agradeço ao meu partido, o PSDB, que entendeu que, após trabalhar pelo impeachment, e por coerência com a sua história, não poderia se omitir nesse processo de recuperação do país. Decidiu apoiar o seu governo sem contrapartida alguma, além de um compromisso programático que Vossa Excelência vem rigorosamente cumprindo. Agradeço também aos colegas do Ministério, deputados, senadores, a toda equipe de governo e a minha família pelo acolhimento, compartilhamento e compreensão das nossas tarefas. Peço que aceite a minha exoneração na certeza de que continuarei a contribuir com o nosso país na Câmara dos Deputados, onde tive a honra de ser levado pelos brasileiros da Bahia. Expresso meu sincero e profundo agradecimento pela confiança, pela suavidade no trato, respeito e cordialidade que sempre dispensou a mim.
Fraternalmente, do amigo
Antonio Imbassahy"
Carta de Temer
Após receber o pedido de demissão de Imbassahy, o presidente Temer agradeceu ao tucano pelo que fez pelo governo e pelo País. "Os momentos difíceis a que você alude na carta foram enfrentados todos por mim, mas com seu apoio permanente. A sua ponderação, o seu equilíbrio e a sua firmeza foram fundamentais para que não só atravessássemos momentos delicados, mas especialmente porque o Brasil não parou. Eu, o Governo e o País devemos muito a você", afirmou o presidente em carta enviada ao ministro. Ao final, Temer afirma que sabe que, no parlamento, Imbassahy continuará a defender os interesses do Brasil.
Ministro Antonio Imbassahy pede demissão da Secretaria de Governo
Afastamento foi feito através de carta nesta sexta-feira