“A situação em que nos encontramos hoje realmente é de vulnerabilidade. A mera detecção de quem se comunica com quem já é uma informação de valor analítico para qualquer adversário que se tenha fora do país”, ressaltou Amorim. O ministro lembrou que, às vezes, a “simples troca de e-mails” entre dois senadores e dois ministros pode ser acessada por terceiros.
Para Amorim, a vulnerabilidade é causada pela falta de um sistema de segurança nos softwares usados pelas autoridades públicas e pelos servidores. Ele disse que, na maioria das vezes, os computadores são de fabricação estrangeira e que há casos em que as empresas fabricantes têm contratos para fornecer as informações existentes nos softwares aos países de origem. O ministro reforçou que é necessário um esforço conjunto em busca de soluções para a fragilidade existente.
Amorim lembrou que a Alemanha também denuncia ter sido alvo de espionagem por agências norte-americanas. “O Brasil não foi o único (pego de surpresa), a Alemanha e outros países também informaram sobre as denúncias de espionagem”, disse Amorim, no Senado. “Por isso o satélite geoestacionário é uma prioridade e será dedicado às comunicações de defesa.” Para ele, um dos mecanismos que contribuirão para o controle é o lançamento do primeiro satélite geoestacionário brasileiro.
O equipamento pretende aumentar a capacidade de comunicação no país. A expectativa é ampliar o acesso à internet. A previsão é que ele seja lançado em 2014. Amorim não mencionou uma data específica para o lançamento.
O satélite não é fabricado no Brasil, mas será operado pela Telecomunicações Brasileiras S.A. (Telebras), vinculada ao Ministério das Comunicações, na tentativa de aumentar o controle brasileiro sobre o serviço, algo considerado essencial para a segurança nacional.
Ao lado dos ministros Antonio Patriota, das Relações Exteriores, e José Elito, chefe do Gabinete de Segurança Institucional, Celso Amorim participam de audiência pública na Comissão de Relações Exteriores do Senado sobre as denúncias de espionagem de dados de cidadãos brasileiros por agências norte-americanas .
Com base em dados obtidos pelo consultor Edward Snowden, que trabalhava para uma prestadora de serviços à Agência Nacional de Segurança (NSA) dos Estados Unidos, aos quais teve acesso, o jornal O Globo publicou reportagens segundo as quais há indicações de que cidadãos brasileiros foram monitorados.
As reportagens mostram ainda que havia uma espécie de escritório da NSA, em parceria com a CIA, a agência de inteligência americana, em Brasília. O embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon, negou a veracidade das informações, mas se comprometeu a investigar as denúncias.