O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou na manhã deste sábado em entrevista coletiva que a Polícia Federal (PF) terá autonomia para prosseguir com as investigações da Operação Lava Jato, que apura denúncias de corrupção na Petrobras. “As coisas prosseguirão. Não aceitaremos desvio de foco”, destacou. Cardozo negou que haja crise no governo. “Não queremos esconder sujeira para baixo do tapete ou castrar a investigação”.
O ministro disse que repassou os dados para a presidente Dilma Rousseff, que está na Austrália para a reunião do G20. Segundo ele, a Dilma disse para as apurações prosseguirem. Cardozo repetiu diversas vezes que, apesar das investigações, a Petrobras não pode parar. “É uma empresa vital para o País. Pretendo conversar com a presidente (da estatal) Graça Foster para ver a forma como vamos atuar”, disse.
Terceiro turno
Cardozo disse "repelir com veemência" o que classificou como tentativa da oposição de "criar um terceiro turno" ao usar politicamente os resultados da Operação Lava Jato. "O governo não aceitará intimidações", disse o ministro, que tem a PF sob seu comando. "Muitas vezes há aqueles que ainda acham que estamos em um disputa eleitoral. Talvez não tenham percebido que o resultado das urnas já foi dado", afirmou.
Sem citar nomes ou partidos, o ministro da Justiça disse que querem "traduzir em uma disputa eleitoral extemporânea uma investigação que é "defendida pelo governo" e "garantida com recursos e autonomia". "Eu repilo veementemente a tentativa de se politizar essa investigação e tentar carimbar forças políticas A,B,C ou D para que se possa ter um prolongamento dos palanques eleitorais (...) a democracia prevê o momento certo para as eleições."
Na sexta-feira, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse ter "vergonha como brasileiro de dizer o que está acontecendo na Petrobras" e o senador Aécio Neves (PSDB-MG) destacou o elo do ex-diretor da Petrobras com o PT. Na quinta-feira, 13, Cardozo pediu à Corregedoria-Geral da PF para investigar a conduta de delegados que fizeram elogios a Aécio Neves e críticas à presidente Dilma Rousseff e ao PT em redes sociais, conforme revelou o jornal O Estado de S. Paulo.
Foram cumpridos até agora 49 mandatos de busca e apreensão, 9 conduções coercitivas determinadas pelo Poder Judiciário - sendo que 6 foram cumpridas. Das seis prisões preventivas, quatro foram cumpridas. Por fim, 19 prisões temporárias foram determinadas, sendo que15 cumpridas. Aqueles que não foram localizados são considerados foragidos e Interpol será avisada. Foram bloqueados R$ 720 milhões das pessoas presas. "Não podemos aceitar em momento algum insinuações de que criamos algum obstáculo às investigações. Pelo contrário: o Ministério da Justiça tem inclusive aportado recursos e passou recentemente R$ 20 milhões à Polícia Federal para que operações possam ser realizadas".
O ministro sinalizou ainda que políticos da oposição também serão investigados. "Lamentavelmente, as notícias divulgadas pelos jornais mostram que muitas forças políticas estão sendo questionadas neste momento, sejam as ligadas ao governo e às da oposição, que obviamente também serão objeto de uma investigação dentro os fatos colocados". Ele minimizou, porém, denúncias envolvendo o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, apontado como integrante do esquema na Petrobrás, segundo delatores. "Desde o primeiro ano de faculdade de direito aprendi que é indevido prejulgar".
A Polícia Federal começou a ouvir na manhã deste sábado os 19 presos na sétima etapa da Operação Lava Jato. Policiais ainda procuram outras cinco pessoas, uma delas com prisão preventiva decretada e quatro com prisão temporária. Segundo a polícia federal, eles podem ser presos a qualquer momento.
Os detidos ontem chegaram às 4h20min de hoje ao aeroporto de Curitiba. O avião com os presos saiu de Brasília, passou por São Paulo para depois fazer uma escala no Rio de Janeiro. A previsão era que os presos chegassem entre 19h e 20h ao Paraná, mas uma pane deteve o avião no Rio até a madrugada de hoje.
Ministro da Justiça nega crise e defende autonomia da PF
Cardozo disse que repassou os dados para a presidente Dilma Rousseff