Política

Ministro garante que não surgirão provas de denúncias

Orlando Silva presta esclarecimentos em audiência pública na Câmara dos Deputados

Ministro Orlando Silva presta depoimento na Câmara dos Deputados
Ministro Orlando Silva presta depoimento na Câmara dos Deputados Foto : Valter Campanato / Abr/ CP
Alvo de denúncias de irregularidades, o ministro dos Esportes, Orlando Silva, presta esclarecimentos na tarde desta terça-feira em audiência pública na Câmara dos Deputados. Ele mostrou indignação em relação àqueles a quem chamou de caluniadores e garante que não surgirão provas de denúncias. "Não houve, não há e não haverá nenhuma prova das mentiras faladas por esse crimonoso", declarou.

Na abertura da audiência, que reúne as comissões de Turismo e Desporto, Fiscalização e Controle, o Orlando Silva disse fará tudo para colaborar com a investigação. "Coloquei à disposição todo o meu sigilo fiscal, bancário e telefônico. Está tudo aberto para quem quiser saber da minha vida", afirmou. Ele ainda disse que acionará os responsáveis pela denúncia. "Minha decisão é ir às últimas consequências: impetrar ações penais por calúnia, ações civis por danos morais", declarou o ministro.

O ministro afirmou que encaminhou pedido de audiência junto aos parlamentares e solicitou investigação do Ministério Público, "órgão independente e autônomo, para apurar essa farsa", porque quer que tudo seja esclarecido o mais breve possível e os responsáveis punidos. "Me interessa muito mostrar a minha conduta, minha ética. Sou ministro de Estado, mas sou também dirigente político", disse Orlando Silva, ao falar da irresponsabilidade da segunda acusação que pesa contra ele, de esquema eleitoral para beneficiar seu partido (PC do B).

Orlando Silva disse ser vítima de um "tribunal de exceção" pelas acusações que vem sofrendo nos últimos dias. "Considero muito grave algumas afirmações, de que não importa a apuração, não importa o processo, o que importa é que há uma denúncia. Lembrei do tribunal de Nuremberg, do dito brasileiro: ''às favas os escrúpulos''. Isso é um tribunal de exceção. Acusar alguém e não provar, acusar alguém sem o devido processo é fazer um tribunal de exceção. Isso tangencia para o fascismo", declarou.

O ministro reiterou também as acusações contra o policial militar João Dias Ferreira. "Quem faz a agressão trata-se de um desqualificado, de um criminoso, de pessoa que foi presa, é uma fonte bandida". Ele lembrou que foi o Ministério que detectou irregularidades nos dois convênios firmados com entidades de João Dias. Observou que há uma tomada de contas especial no Tribunal de Contas da União (TCU) contra o policial e uma ação penal, que, segundo Orlando Silva, poderia estar perto do final.


Denúncia


A revista Veja desta semana publicou uma entrevista com o policial militar João Dias Ferreira, um dos militantes do PCdoB presos no ano passado, com um grupo que era acusado de receber recursos do Ministério do Esporte através de organizações não governamentais (ONGs) e embolsar parte do dinheiro. As ONGs, segundo o que ele afirmou para a publicação, só ganhavam dinheiro mediante o pagamento de uma taxa previamente negociada que podia chegar a 20% do valor dos convênios. O partido indicava desde os fornecedores até pessoas encarregadas de arrumar notas fiscais frias para justificar despesas fictícias. O militar conta que Orlando Silva teria recebido, pessoalmente, dentro da garagem do Ministério do Esporte, remessas da quadrilha.








R7 Notícias

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