"É um trabalho político, com resultados mais diplomáticos do que práticos para o momento. Mas ainda assim positivos." Desta forma, o secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Márcio Biolchi, avaliou sobre os dois primeiros dias da missão gaúcha no Japão.
"O japonês, por cultura, valoriza muito a presença, o olho no olho, a solenidade de troca de cartão e toda a formalidade", explicou Biolchi. "Também é importante que compreendam o Brasil com as dificuldades que o país vive hoje. A situação política acaba afetando as relações comerciais", acrescentou.
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Encontros bilaterais não faltaram. Em pouco mais de 48 horas, o grupo participou de seis reuniões, visita à Usina térmica de Hitachinaka e uma janta com executivos da Toyota, além da recepção do embaixador do Brasil no Japão, André Corrêa do Lago. O representante do Itamaraty corroborou com o secretário. "A presença do governador aqui e dessa missão é extremamente importante para mostrar o comprometimento do governo do Rio Grande do Sul com essa aproximação com o Japão", disse o embaixador.
Lago observa que brasileiros e argentinos alteraram suas políticas e estão buscando maiores investimentos ao redor do mundo. Para o diplomata, a posição geográfica do Estado com relação ao Mercosul poderá ser um diferencial. “Estamos nos aproximando e tendo um diálogo econômico entre Mercosul e Japão, que tem avançado”, afirmou. “As perspectivas são de um acordo com o Japão. O Rio Grande do Sul é o coração do Mercosul e essa lógica passa muito pelo pensamento deles.”
Sartori é questionado sobre situação política do Brasil
O governador José Ivo Sartori revelou que em alguns momentos precisou responder sobre a situação política no Brasil. Para Biolchi, a manutenção da missão mesmo com a crise e inclusive o julgamento da chapa Dilma/Temer no TSE passa o comprometimento do Rio Grande do Sul em busca de um maior vínculo econômico. "A vinda ajuda a reposicionar o nosso Estado, contribui para o posicionamento do Brasil, e resgata muitas das intenções de incrementar as relações comerciais do País", complementou Biolchi.
"Os japoneses são objetivos em alguns campos, mas em outros tendem a fazer uma negociação maior, ao contrário de outros países", apontou o gerente de Relações Internacionais da Fiergs, Luciano D'andrea. Conforme a embaixada do Brasil em Tóquio, visitas de governadores de Estado são raras. "É mais comum, quando vêm missões de estados ao Japão, chegarem deputados representando as intenções de determinados locais", salientou o secretário da embaixada, Fernando Perdigão.
Chance de alavancar investimento
No cenário positivo, o período no Japão poderá ajudar a alanvancar um investimento de 2 bilhões de dólares com a eventual construção de uma usina térmica em Charqueadas. Além do desenvolvimento de energia, o projeto também geraria milhares de empregos diretos e indiretos desde o momento da construção até o início da operação - que, numa hipótese otimista, ocorreria até 2025.
Missão gaúcha adota tom diplomático como estratégia para tentar atrair investimentos
Sartori chegou a ser questionado sobre situação política do Brasil