Missão Ásia

'Plano Rio Grande' quer romper lógica de atrasos das obras públicas no país

A iniciativa prevê investimentos de R$ bilhões na reconstrução do Estado

Secretário da Reconstrução, Pedro Capeluppi, apresentou o Plano Rio Grande
Secretário da Reconstrução, Pedro Capeluppi, apresentou o Plano Rio Grande Foto : Mauricio Tonetto / Palácio Piratini / CP

Após a tragédia de maio deste ano que impactou a maior parte do Rio Grande do Sul, o desafio atual é a reconstrução, o que motivou a criação do Plano Rio Grande. Apresentada em sucessivos encontros durante a missão do governo à Ásia, que terminou nesta terça-feira, a iniciativa ousada, para dizer o mínimo, prevê investimentos na ordem de R$ 16 bilhões na reconstrução do RS e pretende, para isso, romper com uma lógica conhecida de obras públicas, normalmente, marcada por atrasos.

A cifra por si só dá uma dimensão da grandiosidade do desafio. Especialmente, se pensarmos que o Rio Grande do Sul até pouco tempo tinha uma condição financeira crônica.
Responsável pela secretaria de Reconstrução Gaúcha, Pedro Capeluppi, reconhece que o desafio não é simples. Ao mesmo tempo, elenca alguns fatores que podem fazer com que o plano seja efetivado, contra a lógica das obras públicas.

"Se anuncia investimentos e problemas fiscais acabam impedindo isso de acontecer (execução) tanto no âmbito da União e dos estados, e em todos os governos. Não é uma questão de A, B ou C", destaca.

Um ponto central para evitar que isso ocorra, explica o secretário, é que o recurso existe de fato, não é uma intenção. Neste ponto, Capeluppi refere-se principalmente aos valores que o Estado não pagará à União pelo pagamento da dívida pelo período de 36 meses e que serão destinados para a obras de reconstrução. A estimativa é algo em torno de R$ 14 bilhões nos próximos três anos.

"São valores que existem. Isso nos diferencia de outros momentos", aponta.

Outro ponto é a gestão a ser feita pela secretaria de Reconstrução, que serve, entre outros aspectos, para reduzir a burocracia e o tempo de execução. “Geralmente as obras estruturantes andam mais devagar. Existem dificuldades na execução. O benefício delas acaba vindo mais no longo prazo. A forma de gestão da administração pública hoje foca muito no curto prazo.”