O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes enviou um ofício à Polícia Federal (PF) solicitando a transferência do delegado Fábio Shor para atuar em seu gabinete.
Shor foi responsável pela investigação da tentativa de golpe de Estado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados no governo passado. A atuação do delegado fez com que ele se tornasse alvo constante de ataques de figuras da direita, como o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que o ameaçou em transmissão ao vivo.
Em live publicada no dia 20 de julho de 2025, Eduardo insinuou que Shor poderia ser alvo de sanções dos Estados Unidos e perder o visto por causa das investigações que conduzia. O delegado pediu o indiciamento de Bolsonaro por liderar a organização criminosa que planejou o golpe.
Ameaças e críticas ao delegado
"Você da Polícia Federal que está me vendo, um forte abraço. Você também, olha lá, a depender de quem for, já está sem visto, né. Isso é outra coisa que a gente tem falar. Vou ter que baixar a imagem do Fábio Shor", disse. A informação da transferência de Shor da PF para o Supremo foi revelada pela CNN Brasil e confirmada pelo Estadão.
Shor também foi constantemente criticado por advogados que atuaram no julgamento do golpe de Estado, especialmente Jeffrey Chiquini, com quem Moraes protagonizou diversos embates durante a fase de instrução das ações penais. Chiquini acusou Shor diversas vezes de ter produzido um relatório com informações falsas sobre o ex-assessor da Presidência Filipe Martins.
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Atuação em outras grandes investigações
Além do inquérito da tentativa de golpe, Shor atuou nas investigações dos atos golpistas de 8 de Janeiro, da fraude no cartão de vacinação e do escândalo das joias sauditas, revelado pelo Estadão. O delegado e sua equipe foram responsável por identificar a identificar, por exemplo, que Moraes havia sido monitorado por golpistas com o objetivo de assassiná-lo.
Shor é especialista em contrainteligência e, em fevereiro do ano passado, passou a chefiar a Divisão de Investigações e Operações de Contrainteligência da PF. No STF, é possível que ele atue como assessor de Moraes e possa auxiliá-lo em inquéritos sob sua relatoria.