Política

Moreira ataca CPI e diz que oposição esconde áudios

Deputado do PMDB afirma que oposição não tem "moral" para julgá-lo

Moreira ataca CPI e diz que oposição esconde áudios
Moreira ataca CPI e diz que oposição esconde áudios Foto : Walter Fagundes / Ag AL
Governistas e oposicionistas trocaram novos ataques na tribuna da Assembleia na tarde de terça-feira, véspera da reabertura dos trabalhos da CPI da Corrupção. Durante discurso inflamado, o deputado Alceu Moreira (PMDB) criticou a motivação política da CPI e fez um desabafo sobre o uso dos diálogos do processo da Operação Solidária, divulgados na semana passada. "Eles não têm moral para dizer nada", disse em plenário.

Além de garantir sua inocência, Moreira reiterou que a oposição pinçou duas páginas com transcrições de diálogos com seu nome. Ele acusou a oposição de agir maldosamente, o que lhe causou prejuízo político. "Foram exatamente na parte em que estava o meu nome e divulgaram para o Estado inteiro. Se queriam mesmo investigar, por que não o fizeram desde a primeira folha?", questionou.

O parlamentar acrescentou que cedo ou tarde a verdade virá à tona e que ficará provada sua inocência. "A mim interessa que o Ministério Público faça a investigação e a Justiça julgue", disse. A presidente da CPI da Corrupção, deputada Stela Farias (PT), também aproveitou a tribuna para convocar os integrantes da base aliada, que têm faltado com frequência às sessões, a participar do encontro de hoje da comissão.

Além de tentar aprovar os 25 requerimentos que trancam a pauta, a petista quer analisar documentos e áudios sigilosos enviados pelo Tribunal Regional Federal à CPI. As últimas sessões, no entanto, têm sido marcadas pela ausência de parlamentares que fazem parte da base aliada. A estratégia dos governistas de esvaziar as sessões e impedir a votação de requerimentos tem provocado protestos da oposição. "Convido os parlamentares para ouvirem o que temos ouvido, a analisarem os documentos e mais dos senhores ficarão enojados", disse Stela no plenário.
A petista destacou que os parlamentares não podem mais se omitir, pois serão julgados pela população. "O melhor a fazer é enfrentar os fatos e não fazer como avestruz, escondendo a cabeça e deixando o corpo de fora.

Na sessão extraordinária da CPI da Corrupção marcada para esta quarta-feira às 18h, no Plenarinho da Assembleia, a oposição deverá colocar em votação os 25 requerimentos que permanecem na pauta da comissão. Se não houver quórum para votar os requerimentos, a presidente da CPI, deputada Stela Farias (PT), deverá apresentar aos deputados áudios sigilosos da Operação Solidária em sessão fechada. A oposição também protocolará hoje pedido para que o secretário de Planejamento Urbano e Habitação de Alvorada, Francisco Carlos Ramos, preste depoimento na comissão.

Mandado de segurança será protocolado na quarta-feira

O relator da CPI da Corrupção, deputado Coffy Rodrigues (PSDB), deverá protocolar na quarta-feira mandado de segurança junto ao TRF para isentar os parlamentares da base aliada, que são titulares na comissão, de qualquer responsabilidade de vazamento de informações de dados sigilosos da Operação Solidária. Coffy garante que os governistas já haviam comunicado os magistrados que gostariam de ficar isentos de qualquer responsabilidade envolvendo a divulgação de provas da Solidária. "O que está acontecendo é que depois das sessões fechadas, as informações sigilosas já estão circulando nos corredores da Assembleia", destacou.

Coffy reafirmou que não comparecerá às sessões extraordinárias da CPI por considerar que a deputada toma decisões sem consultar o colegiado. Integrante da base governista e vice-presidente da CPI, o deputado Gilberto Capoani (PMDB) também cobra os petistas pelo vazamento das informações e afirma que o Judiciário entregou as provas nas mãos de Stela Farias. O peemedebista ressalta que os aliados devem publicar uma nota de repúdio e pedir providências pela quebra de sigilo. Capoani acrescentou que analisará se participará das sessões da CPI. "Não sei se vou. Não sou palhaço dela", disse.