O juiz Sérgio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato na primeira instância da Justiça Federal, afirmou nesta segunda-feira que a operação “é uma voz pregando no deserto”. Ele discursou no fim da tarde durante o Fórum da Aner (Associação Nacional dos Editores de Revistas) 2015, ocorrido no Hotel Renassaince, em São Paulo.
Segundo ele, a Lava Jato, que ainda está em andamento, mostrou “indícios de corrupção sistêmica, profunda e penetrante no âmbito da administração pública” do país e, apesar disso, não houve respostas "institucionais" diante da insatisfação popular contra a corrupção. “No caso da Petrobras, por exemplo, há indícios que todos os grandes contratos envolviam o pagamento de propina. O nível de deterioração da coisa pública é extremamente preocupante”, avaliou. “A quantidade de pessoas nas ruas revelou insatisfação e não tivemos respostas institucionais mais relevantes”, acrescentou.
“Não vai ser a Operação Lava Jato que vai resolver o problema da corrupção no país. Não serei eu que resolverei isso. Não foi a Ação Penal 470 que resolveu o problema da corrupção no Brasil", frisou Moro. "Mas o que nós, como cidadãos, vamos fazer a partir de agora? Para isso, precisamos ter melhora nas nossas instituições, e não vejo isso ocorrendo de forma alguma”, disse.
Durante a palestra na Aner, Sérgio Moro abordou o papel investigativo da imprensa com o tema: Operação Lava Jato – O jornalismo investigativo de qualidade como pilar da democracia e das instituições brasileiras. O juiz defendeu a publicidade da Operação Lava Jato, segundo ele, garantida pela Constituição Federal. “A democracia e a liberdade demandam que as coisas públicas sejam tratadas de forma pública. A Constituição deu uma resposta bem clara de que a publicidade tinha que ser ampla. Com a ressalva, no processo penal, de que temos resguardado sigilo quando há prejuízo à investigação”. Segundo Sergio Moro, não se pode falar que houve vazamento durante a operação. “Não se pode falar de vazamento quando o processo é público”, afirmou.
Moro afirma que Lava Jato é "voz pregando no deserto"
Juiz critica que instituições não deram resposta para clamores contra a corrupção