O juiz federal Sérgio Moro afirmou nesta terça-feira que o Ministério Público Federal (MPF) investiga se o esquema de corrupção na Petrobras, apurado na Operação Lava Jato, estendeu-se para outros setores da economia. Segundo o responsável pela investigação na primeira instância, o MPF investiga o envolvimento do presidente da empreiteira UTC, Ricardo Pessoa, preso desde novembro do ano passado, no pagamento de propina fora do setor de óleo e gás.
A informação consta no pedido de esclarecimento solicitado pelo ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), para julgar o mérito do habeas corpus impetrado pela defesa de Pessoa. De acordo com Moro, o empreiteiro deve continuar preso, principalmente, pelos indícios que apontam pagamento de propina, no ano passado, quando a Lava Jato foi deflagrada.
“Obteve o MPF informação sobre o envolvimento da UTC Engenharia e de Ricardo Pessoa em ainda outro pagamento de propina em contrato público durante 2014 e em outro setor que não o de óleo e gás. Ou seja, mesmo durante as investigações já tornadas notórias da Operação Lava Jato, negociava-se o pagamento de propina por contratos públicos em outras áreas”, disse o juiz.
No documento, Moro também relata que houve tentativas de influenciar testemunhas dos pagamentos de propina, como Meire Pozza, ex-contadora do doleiro Alberto Youssef, e João Procópio e Rafael Angulo Lopez, responsáveis pela entrega dos pagamentos.
Ricardo Pessoa é réu em duas ações penais na Justiça Federal em Curitiba, nas quais é acusado pelo Ministério Público Federal (MPF) de coordenar o funcionamento do cartel entre as empreiteiras que tinham contratos com a Petrobras. À Justiça Federal, os advogados de Ricardo Pessoa afirmaram que nunca existiu um "clube de empreiteiras" para dividir contratos com a Petrobras. Para a defesa, a acusação do MPF, na qual Pessoa é apontado como líder do cartel, é "um vazio sem fim".
Moro afirma que MPF investiga pagamentos de propina fora da Petrobras
Investigado Ricardo Pessoa teria se envolvido com pagamentos fora do setor de óleo e combustíveis