Política

Moro espera fim da impunidade contra corrupção no país

Magistrado usou a cena inicial do clássico filme “O Poderoso Chefão” em palestra em Porto Alegre

Moro não citou os nomes de investigados ou das empresas envolvidas na Lava Jato, com exceção da Petrobras
Moro não citou os nomes de investigados ou das empresas envolvidas na Lava Jato, com exceção da Petrobras Foto : Guilherme Testa
Por quase uma hora, o juiz federal Sérgio Moro palestrou sobre o impacto da Lava Jato no Brasil e, com otimismo, disse esperar que a impunidade contra corrupção acabe no país. Com o auditório ocupado por mais de 200 pessoas, Moro fez, na manhã desta quinta, um apanhado da operação e seus desdobramentos. Ao longo de seu discurso, deu grande espaço para a questão do “ato de ofício”, no que se refere à corrupção. Disse que pela maneira sistêmica que os desvios correm, não há a necessidade do ato de ofício. E, neste ponto, usou a cena inicial do clássico filme “O Poderoso Chefão”, para ilustrar a corrupção brasileira, em que uma pessoa pede um favor ao líder da máfia, Don Corleone, e este responde que fará, mas que talvez um dia, se precisar, pedirá algo em troca.

Durante a palestra de abertura do 10º Congresso Anual da Associação Brasileira de Direito e Economia (ABDE), realizado no campus Unisinos de Porto Alegre, o juiz não citou os nomes de investigados ou das empresas envolvidas na Lava Jato, com exceção da Petrobras. E se utilizou de alguns episódios vivenciado durante as investigações, conduzidas em Curitiba, para ilustrar a sua fala.

“Essa corrupção sistêmica é profundamente perturbadora. Ela afeta diretamente a qualidade da nossa economia”, disse, citando o custo contábil da Petrobras de R$ 6 bilhões, em decorrência de uma prática de corrupção disseminada. Além disso, afirmou que a corrupção impacta na qualidade da democracia brasileira, que, segundo ele tem pilares na confiança.

Citou os casos considerados por ele como os mais “perturbadores”. Um exemplo foi o de dois políticos que foram condenados no processo do Mensalão e, mesmo assim, seguiam recebendo vantagens indevidas, mas de outras fontes, enquanto estavam sendo julgados. Deu ênfase ainda para o caso de um ex-senador que, em 2014, era vice presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigava o caso Petrobras e, “ao invés de julgar estava solicitando propina para benefícios de quem deveria ser investigado”.

Ao final da palestra, Moro ainda acompanhou o painel seguinte, sobre “Análise Econômica do Direito Societário nas Américas”. Disse que, por ter que retornar a Curitiba, não acompanhou toda a programação do evento. Seguido por seguranças, ele deixou o local sem problemas. O receio entre os seguranças e a organização do evento é que poderia ocorrer alguma manifestação contrária a presença do juiz federal.