Por quase uma hora, o juiz federal Sérgio Moro palestrou sobre o impacto da Lava Jato no Brasil e, com otimismo, disse esperar que a impunidade contra corrupção acabe no país. Com o auditório ocupado por mais de 200 pessoas, Moro fez, na manhã desta quinta, um apanhado da operação e seus desdobramentos. Ao longo de seu discurso, deu grande espaço para a questão do “ato de ofício”, no que se refere à corrupção. Disse que pela maneira sistêmica que os desvios correm, não há a necessidade do ato de ofício. E, neste ponto, usou a cena inicial do clássico filme “O Poderoso Chefão”, para ilustrar a corrupção brasileira, em que uma pessoa pede um favor ao líder da máfia, Don Corleone, e este responde que fará, mas que talvez um dia, se precisar, pedirá algo em troca.
Durante a palestra de abertura do 10º Congresso Anual da Associação Brasileira de Direito e Economia (ABDE), realizado no campus Unisinos de Porto Alegre, o juiz não citou os nomes de investigados ou das empresas envolvidas na Lava Jato, com exceção da Petrobras. E se utilizou de alguns episódios vivenciado durante as investigações, conduzidas em Curitiba, para ilustrar a sua fala.
“Essa corrupção sistêmica é profundamente perturbadora. Ela afeta diretamente a qualidade da nossa economia”, disse, citando o custo contábil da Petrobras de R$ 6 bilhões, em decorrência de uma prática de corrupção disseminada. Além disso, afirmou que a corrupção impacta na qualidade da democracia brasileira, que, segundo ele tem pilares na confiança.
Citou os casos considerados por ele como os mais “perturbadores”. Um exemplo foi o de dois políticos que foram condenados no processo do Mensalão e, mesmo assim, seguiam recebendo vantagens indevidas, mas de outras fontes, enquanto estavam sendo julgados. Deu ênfase ainda para o caso de um ex-senador que, em 2014, era vice presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigava o caso Petrobras e, “ao invés de julgar estava solicitando propina para benefícios de quem deveria ser investigado”.
Ao final da palestra, Moro ainda acompanhou o painel seguinte, sobre “Análise Econômica do Direito Societário nas Américas”. Disse que, por ter que retornar a Curitiba, não acompanhou toda a programação do evento. Seguido por seguranças, ele deixou o local sem problemas. O receio entre os seguranças e a organização do evento é que poderia ocorrer alguma manifestação contrária a presença do juiz federal.
Moro espera fim da impunidade contra corrupção no país
Magistrado usou a cena inicial do clássico filme “O Poderoso Chefão” em palestra em Porto Alegre