À frente da Operação Lava Jato, o juiz Sérgio Moro sugeriu, nesta sexta-feira, que a Petrobras também adote uma espécie de delação premiada e pague a seus empregados por denúncias de corrupção interna. As sugestões foram feitas pelo magistrado ao presidente da estatal, Pedro Parente, nas quatro horas em que esteve na sede da empresa, no centro do Rio. Ao mesmo tempo, um grupo de funcionários e ex-funcionários da estatal protestou, debaixo de chuva, na frente da sede da empresa, no centro do Rio, contra a presença de Moro. Eles divulgaram uma nota de repúdio contra a presença do juiz, que chamaram de "corrupto e golpista". O deputado federal Wadih Damous (PT-RJ) participou da manifestação. Segundo ele, Moro ajudou a "destruir a empresa".
Moro sugeriu que os diretores emoldurem e pendurem em suas salas um quadro com a cifra de R$ 6 bilhões, o valor da perda admitido pela companhia. Disse também que os executivos devem ter seus patrimônios vasculhados e propôs que os funcionários tenham suas trocas de mensagens monitoradas.
Segundo o juiz, a delação só deve ser paga se a informação denunciada for "verdadeira, relevante e que, por meio dela, tenha sido possível desbaratar um esquema de corrupção". A compensação, afirmou Moro, deve ser módica, "ninguém deve enriquecer com isso", mas robusta o suficiente para tirar o funcionário da "zona de conforto". Parente chamou a proposta de "provocativa" e "polêmica", mas prometeu "usar esse instrumento de uma maneira ponderada, adequada, (de uma forma) devidamente estudada".
Para Moro, diretores e conselheiros de Administração da Petrobras devem ser submetidos periodicamente a sindicâncias patrimoniais. "E que não fiquem resumidas a exames de papel. Devem ser feitas apurações do local onde a pessoa vive, da forma como ela vive", afirmou. Em resposta, mais uma vez, o presidente da empresa relatou que será feito um "trabalho de inteligência em busca de elementos de enriquecimento ilícito". Isso inclui o processamento de dados das declarações de Imposto de Renda de todas as lideranças internas, como gerentes, diretores, presidente e membros do Conselho de Administração.
Parente disse que a troca de mensagens dos empregados pelo e-mail corporativo também vai ser vasculhada. Admitiu que essa medida "não é desprovida de uma certa polêmica", porque pode sugerir que a corrupção persiste. "Longe disso, é um trabalho preventivo para evitar que a gente volte a ter problemas", afirmou.
No evento desta sexta, Moro ressaltou que a Lava Jato está longe do fim. Afirmou também que não há um modo inteiramente eficaz de impedir a corrupção. "Me perguntam se a Operação Lava Jato está chegando ao fim. Eu mesmo respondo: como chegando ao fim com tudo o que está acontecendo no Rio de Janeiro?", questionou. Segundo ele, "ainda há várias casos em andamento". Até hoje, 33 processos foram julgados e 157 pessoas, condenadas.
"(A Petrobras) não é sinônimo de corrupção", disse Moro. "O que houve foi uma captura da Petrobras por quadrilhas que se associaram a políticos e empresários inescrupulosos, que usaram a estatal para enriquecimento ilícito ou para financiar campanhas."
Moro sugere que Petrobras dê prêmio a delatores, em visita à sede no Rio
Grupo protestou contra presença do juiz do lado de fora do prédio da petrolífera