O médico-cirurgião Raul Cutait, que integra a equipe que tratava do ex-vice-presidente, disse que ele não tinha mais condições de passar por novos tratamentos. "Ele voltou a ter perfuração intestinal e peritonite (um tipo de inflamação), e não poderá sofrer uma nova intervenção cirúrgica. Estamos tomando todas as medidas para ele não sofrer", afirmou.
Segundo Cutait, Alencar passou por um tratamento à base de medicamentos, especialmente analgésicos, para aliviar a dor, o que o deixava em estado de constante sonolência. O ex-vice-presidente apresentava ainda um quadro de pressão baixa.
Posse de Dilma
A última crise enfrentada pelo ex-vice-presidente devido ao câncer ocorreu no fim do ano passado, quando foi internado às pressas no Sírio-Libanês devido a uma hemorragia digestiva grave. Na ocasião, Alencar passou por uma cirurgia de emergência, em que não foi possível chegar ao abdome do paciente. Com isso, o procedimento fosse interrompido. Cutait chegou a afirmar que aquele era o momento mais crítico da luta contra o câncer.
A hemorragia, no entanto, foi estancada naturalmente. O então vice-presidente reagiu bem à hemodiálise e, dois dias depois, chegou a comer uma fatia de panetone durante a ceia de Natal. Alencar manifestou interesse em ir à cerimônia de posse de Dilma Rousseff, o que não foi recomendado pelo médico Roberto Kalil Filho, um dos responsáveis pelo tratamento do ex-vice-presidente.
Biografia
O ex-vice-presidente José Alencar Gomes da Silva nasceu em 17 de outubro de 1931 no interior de Muria, na Zona da Mata de Minas Gerais. Aos 14 anos, ele deixou a casa dos pais para trabalhar de balconista numa loja de armarinhos em Muria. Pouco tempo depois, transferiu-se para Caratinga, onde continuou a trabalhar de balconista.
Aos 18 anos, Alencar abriu uma pequena loja onde vendia tecidos, calçados, chapéus, guarda-chuvas, sombrinhas e armarinhos. Depois disso, o ex-vice-presidente foi viajante comercial, atacadista de cereais, dono de fábrica de macarrão, atacadista de tecidos e industrial do ramo de confecções.
Em 1967, Alencar fundou, em Montes Claros, a Companhia de Tecidos Norte de Minas (Coteminas), atualmente um dos maiores grupos industriais têxteis do País. A Coteminas tem hoje 11 unidades industriais em quatro Estados – Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Paraná e Santa Catarina –, e uma na Argentina.
Como empresário, José Alencar foi presidente da Associação Comercial de Ubá, diretor da Associação Comercial de Minas, presidente do Sistema Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais e vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria.
Em 1994, o ex-vice-presidente se candidatou ao governo de Minas Gerais e, em 1998, ao Senado, quando foi eleito com quase 3 milhões de votos. No Senado, foi presidente da Comissão Permanente de Serviço de Infraestrutura e membro da Comissão Permanente de Assuntos Econômicos e da Comissão Permanente de Assuntos Sociais.
No governo, Alencar acumulou a vice-presidência com o cargo de ministro da Defesa de 2004 até março de 2006, quando se licenciou do ministério para concorrer novamente às eleições presidenciais. Filiado ao Partido Republicano Brasileiro (PRB), Alencar fez inúmeras críticas à política econômica adotada pelo Conselho de Política Monetária (Copom) e virou símbolo dos que pediam a redução da Taxa Básica de Juros (Selic).
Ele encerrou seu segundo mandato como vice de Lula em dezembro. Alencar era casado com Mariza Campos Gomes da Silva e tinha três filhos: Josué Christiano, Maria da Graça e Patrícia.
Recorde como presidente-interino
Alencar permaneceu por 503 dias na interinidade da Presidência da República, superando as marcas dos ex-vice-presidentes Marco Maciel (1995-2002), Delfim Moreira (1918-1919) e Aureliano Chaves (1979-1985), que estiveram no exercício do cargo de presidente por 312, 194 e 181 dias, respectivamente, de acordo com levantamento feito com informações do governo federal.