Com adesão menor que na época do impeachment de Dilma Rousseff e gritos contra o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), seguidores do movimento Vem Pra Rua fizeram passeata em São Paulo neste domingo. De acordo com Rogério Chequer, líder do grupo, a pauta comum do protesto é "pela renovação política", que inclui "oposição ao fundão, ao distritão e ao uso de propina derivada da atividade do mandato para fazer caixa dois".
A passeata, que seguiu pela Avenida Paulista, da frente do Masp (Museu de Arte de São Paulo) até a Avenida Brigadeiro, chegou a ocupar cerca de duas quadras da via e durou apenas três horas. Perguntado sobre a diferença do público deste protesto com o de manifestações anteriores, Chequer afirmou que "atos como aqueles que a gente viu naquele período não são mais bases de comparação".
Os ex-presidentes Lula e Dilma, os senadores Aécio Neves (PSDB-MG) e Lindbergh Farias (PT-RJ), o deputado federal Vicente Cândido (PT-SP) e o ministro Gilmar Mendes estavam entre os mais rechaçados pelos cartazes do público. Apenas três pessoas discursaram, incluindo o jurista Modesto Carvalhosa. Apesar do VPR ter sido o único grande movimento pró-impeachment que se posicionou também favoravelmente à investigação e afastamento do presidente Michel Temer, não houve palavras de ordem contra o mandatário. Perguntado por que o protesto anti-Temer não teve tanta expressividade quanto os atos anti-Dilma, Chequer disse ser uma "questão sociológica".
Rio de Janeiro
No Rio de Janeiro, os manifestantes fizeram um ato na orla da Praia de Copacabana, na Zona Sul, pela manhã. Vestidos de amarelo e verde e com bandeiras do Brasil, eles protestaram principalmente contra Gilmar Mendes, com gritos de "Fora, Gilmar". O grupo também pediu mais celeridade da presidente do STF, Cármen Lúcia, para julgar os pedidos de suspeição de Mendes. Alguns também levam bonecos do juiz federal Sérgio Moro e usam camisas com fotos dos procuradores da Lava Jato.
Brasília
Em Brasília, o ato ocorreu no final da manhã. Com a ajuda de voluntários, o movimento escreveu a frase "Lula na cadeia" no gramado em frente ao Congresso Nacional. Juntas, as pessoas formaram cada uma das letras da frase no gramado. De acordo com a organização, cerca de 360 pessoas participaram do ato. A Polícia Militar, no entanto, calculou a presença de 200 pessoas.
Além da frase, os organizadores fizeram no local um cemitério com cruzes, com os nomes de vários políticos, como Lula e o senador Renan Calheiros (PMDB-AL). O Vem Pra Rua informou que o ato tinha como objetivo "deixar claro a vontade do povo brasileiro pelo fim da impunidade, com a prisão de todos os corruptos condenados, e a favor da renovação política em 2018".
Belo Horizonte
Na capital mineira, o protesto ocorreu na Praça da Liberdade, na Região Centro-Sul. De cima de uma caminhão, representantes de movimentos como o Vem pra Rua fizeram discursos contra a classe política. Os mais citados foram os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT)e Dilma Rousseff (PT) e o senador Aécio Neves (PSDB). Faixas atacavam também Gilmar Mendes, que teve seu nome colocado em uma lápide.
Segundo o representante do movimento Brasileiros.Bros, o engenheiro civil Cipriano Antonio de Oliveira, 62, anos, Gilmar Mendes representa hoje "a síntese da injustiça e corrupção no Brasil". Um mural foi colocado na praça para que as pessoas escrevessem mensagens para o ministro. "É uma pessoa que não tem qualificação para estar no STF. É parcial a seus amigos", reclamou. Uma das coordenadoras do Movimento Vem Pra Rua, Kátia Pegos, afirmou que a missão da manifestação "é muito maior". "Queremos todos os corruptos na cadeia", disse.
Movimento Vem Pra Rua faz atos pelo país pela "renovação política"
Manifestações ocorreram em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte