Política

MP investiga uso de telemarketing na eleição gaúcha

Mais de 150 denúncias foram feitas ao Ministério Público do Estado

Com mais de uma centena de denúncias recebidas no final de semana, o Ministério Público do Estado finaliza um relatório dos casos de telemarketing eleitoral no segundo turno no Rio Grande do Sul. As ligações relatadas questionaram se o interlocutor sabia que o então candidato José Ivo Sartori (PMDB), eleito governador, havia mencionado uma loja de materiais de construção para citar onde os professores devem buscar o piso da categoria.

O telemarketing eleitoral é vedado por lei, que prevê a cassação do diploma do candidato eleito se for provado que ele teve participação na irregularidade ou a reprovação nas contas do derrotado. Outro questionamento feito pelos agentes de telemarketing dizia respeito a comentários publicados na imprensa insinuando que Sartori não tinha proposta para o governo.

Conforme o Gabinete de Assessoramento Eleitoral do MP, os problemas foram registrados principalmente entre a tarde de sábado e a manhã de domingo. Foram 156 casos notificados no período. Os dados que estão sendo reunidos vão ser encaminhados à Procuradoria Regional Eleitoral, cujo prazo é de 15 dias, a contar da diplomação do vencedor da eleição (que ocorre em 18 de dezembro) para solicitar uma investigação judicial eleitoral, explicou o promotor José Francisco Seabra Mendes Júnior.

A apuração, caso ocorra, pode descobrir de que coligação partiu a ordem de contratação da empresa de telemarketing. Caso o gasto esteja previsto na prestação de contas trata-se de uma irregularidade, pois o modelo de captação de votos é vetado pela legislação. Não estando nas despesas, a ilicitude fica configurada na omissão do gasto, indicou Seabra.