Política

"Não sabia da relação entre Demóstenes e Cachoeira", diz Perillo

Depoimento do governador de Goiás à CPI começou com protestos

Grupo protestou contra o governador de Goiás, Marconi Perillo, no Senado
Grupo protestou contra o governador de Goiás, Marconi Perillo, no Senado Foto : Antonio Cruz / ABr / CP
Em depoimento à Comissão Parlamentar mista de Inquérito (CPI) do Cachoeira nesta terça-feira, o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), negou que soubesse da existência de relação de intimidade entre o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) e o contraventor goiano, que está preso em Brasília. "Não sabia da relação entre eles. Convidei Demóstenes para ser secretário de Segurança Pública sem sequer saber se ele havia votado em mim. Queria ajuda do Ministério Público na área. Só fiquei sabendo da relação entre eles muito tempo depois. Não sabia que havia intimidade entre os dois", afirmou Perillo.

O governador disse ter defendido a candidatura de Demóstenes Torres à prefeitura de Goiânia. Segundo Perillo, o senador era muito “paparicado” por empresários e políticos locais pelo trabalho que desempenhava no Parlamento. "Tivemos muitas desavenças, mas na última eleição recebi o apoio dele e do DEM. Na verdade, todos queriam o apoio do senador, que tinha enorme prestígio", contou Perillo.

Perillo reafirma que vendeu casa de forma legal


A ida de Marconi Perillo à CPI do Cachoeira levou um grupo a protestar contra o governador nos corredores do Senado pela manhã. Os manifestantes usavam nariz de palhaço e gritavam: "Fora, Perillo". O grupo, no entanto, foi impedido pela segurança da Casa de ter acesso à sala de depoimento. 

No início da sessão, o governador de Goiás, disse que a operação de venda de casa em condomínio, na qual Carlinhos Cachoeira foi preso, se deu conforme as práticas usuais de negociação de imóveis. Perillo destacou que nunca se preocupou em saber a origem dos recursos pagos pelo comprador, o ex-vereador Wladimir Garcez, apontado pela Polícia Federal como operador do esquema do bicheiro. "Quando a casa foi colocada a venda em anúncios de jornal, Waldimir entrou em contato e manifestou interesse. Acertamos o valor de R$ 1,4 milhão, que se daria em três parcelas, março, abril e maio (de 2011). Todos os cheques foram depositados e compensados, na mais absoluta prova de boa fé", disse o governador.

Perillo repassou à CPI cópia dos três cheques nominais usados na operação e os extratos relativos a março, abril e maio, com os depósitos. "É incrível que eu seja exposto por ter vendido um bem pessoal, absolutamente dentro da lei, enquanto outros fazem licitações fraudulentas. Tudo que transcender a isso é especulação ou ocorreu sem que eu tivesse conhecimento dos fatos. É absurda e delirante a ilação de que eu teria recebido duas vezes ou em valor maior do que o escriturado e declarado à Receita Federal", defendeu-se.

Governador nega relações com Cachoeira


Perillo também negou manter "qualquer relação" com Cachoeira. O governador disse que, das 30 mil gravações telefônicas interceptadas pela Polícia Federal durante três anos, em apenas uma houve uma ligação, feita apenas para cumprimentar Cachoeira pelo seu aniversário.

Em sua exposição inicial, Perillo disse que jamais houve outra ligação para o bicheiro para seu telefone particular ou para o número de seu gabinete. E reforçou que, quando telefonou para Cachoeira, ligou não para um "um contraventor", mas para um empresário que atuava no setor farmacêutico.

Perillo disse que não há nenhum ato que tenha beneficiado ou sugira qualquer beneficiamento ao grupo de Cachoeira. Ele afirmou que compareceu à CPI para "restabelecer a verdade dos fatos". "Estou sendo vítima de todos esses acontecimentos deflagrados pela Operação Monte Carlo", afirmou. Perillo lembrou que solicitou de "forma voluntária" o pedido de abertura do Ministério Público Federal contra ele e também esteve na CPI para se colocar à disposição para depor.

Com informações da Agência Senado e Agência Estado

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