Política

Na Assembleia, Leite fala em enfrentar “delírio da máquina pública”

Segundo o governador, a crise atual é resultado de decisões tomadas no passado e que precisam ser resolvidas

Em discurso de 30 minutos, Leite falou em coesão para superação de desafios
Em discurso de 30 minutos, Leite falou em coesão para superação de desafios Foto : Joel Vargas/Agência ALRS/CP

O governador Eduardo Leite (PSDB) afirmou seu compromisso em enfrentar o "delírio da máquina pública" durante discurso do início do ano do Legislativo. Na tribuna da Assembleia Legislativa, em sessão híbrida, na tarde desta terça-feira, Leite disse que a crise que o Rio Grande do Sul enfrenta atualmente deriva de decisões tomadas no passado. "Decisões de outro tempo, contexto e mentalidade. Mas cobram um preço elevado demais para o conjunto da nossa sociedade e inibem o Estado de proporcionar direito e os serviços mais elementares para a nossa população", explicou. "É esse delírio da máquina pública que nós procuramos enfrentar. Pois nosso governo não está aqui simplesmente para fazer o Estado sobreviver por mais quatro anos atolado em suas limitações e sem condições de desejar mais para o futuro", completou o governador. 

Aos deputados, aos quais agradeceu pelo apoio em aprovações de projetos, tanto da base como da oposição, Leite enfatizou que as dívidas contraídas no passado não permitem a utilização das receitas arrecadadas para investimentos atuais. Ressaltando, desta forma, a importância de reformas como a da previdência e a tributária, que voltarão à discussão neste ano. "Essa agenda de transformação que trabalhamos desde 2019 busca uma saída para uma situação dramática, e cenários dramáticos não são enfrentados com decisões simpáticas”, completou. Citando feitos durante a sua gestão, ele afirmou contar com o apoio dos parlamentares para dar continuidade a projetos que vão “além dos quatro anos de mandato”. “Contem comigo porque eu conto com cada um de vocês”, disse. 

Ao longo da sua fala, o governador reforçou a ideia de que a única solução para crise financeira do RS é aderir ao regime de recuperação fiscal, enfatizando a necessidade de aprovação das propostas enviadas à Assembleia. "O governo está prestes a assinar o acordo de recuperação fiscal. Aderir (ao regime) é a última opção para ajustar o Estado”, enalteceu, citando que o RS não vem pagando a dívida com a União há quatro anos em função de uma liminar no STF. 

Outro ponto enfatizado por Leite foi a necessidade de diálogo entre ideias opostas. "Acredito na política emocional honesta. É possível, sim, conversar com convicção e respeitar quem pensa diferente", avaliou. Completou que defende a convergência nas discussões. “Enfrentar essa crise requer diálogo, não rupturas ou enfrentamentos. Não acredito em rupturas porque invariavelmente as rupturas levam a traumas e traumas causam desconfiança na sociedade e ferem a segurança na sociedade em caminho coletivo”. E, por fim, como vê a discussão política.  "Não há vida civilizada no debate cego e pré determinado. Não à vitória na intransigência e na desqualificação pessoal". 

Sobre seu governo, afirmou ter a honra de poder administrar o Estado em um momento de crise, uma vez que lhe dá a oportunidade de apresentar soluções reais para “problemas impossíveis”. Novamente assegurou que há recursos para a aquisição de vacinas contra a Covid-19 caso seja necessário.

Após discurso de 30 minutos, os parlamentares se manifestaram suas redes sociais sobre a fala do governador: 
 


*Sob supervisão de Mauren Xavier