Política

“Não posso virar as costas ao que o povo está dizendo”, diz Juliana Brizola, descartando candidatura a vice ou ao Senado

Pré-candidata descartou categoricamente concorrer a qualquer outra vaga que não seja para governadora: “não considero nenhuma outra candidatura”

Declaração foi feita durante lançamento da pré-candidatura
Declaração foi feita durante lançamento da pré-candidatura Foto : Fernando dos Santos/Divulgação/CP

Juliana Brizola foi lançada oficialmente como pré-candidata ao governo do Rio Grande do Sul durante convenção do PDT de Porto Alegre. No evento, prestigiado por possíveis aliados, mas que contou com ausências internas, se mostrou ‘candidatíssima’ ao Palácio Piratini, em 2026, e sinalizou que dificilmente irá recuar.

Afirmou ter abandonado a possibilidade de se eleger à Câmara dos Deputados diante de um bom retrospecto nas pesquisas de intenção de voto, que, além de tornar cada vez mais real uma candidatura pedetista de estofo, também ajuda o partido a eleger bancadas.

“Estou no melhor momento para ser deputada federal, mas não tenho como virar as costas depois de mais de 30 anos que o PDT não consegue esse tipo de porcentagem (nas pesquisas de intenção de voto). Como é que eu vou virar de costas para aquilo que o povo lá fora está dizendo. Não fomos nós que dissemos. Não fomos nós que colocamos o PDT nas pesquisas. É o povo que está falando. Essa é nossa responsabilidade. Eu deixei de lado qualquer projeto pessoal para assumir esse desafio”, discursou Juliana, diante de um auditório lotado.

Se portando como postulante ao Executivo gaúcho, mandou recados ao governo Eduardo Leite (PSD) e ao PT, que concatenam dois grupos políticos que ainda têm esperanças de ter no PDT um aliado já no primeiro turno das eleições 2026, mas que dispõem de pré-candidaturas próprias.

“Muitos problemas não foram enfrentados. O RS precisa voltar a ser protagonista, porque sempre foi. Mas, infelizmente, muitos desgovernos levaram, por exemplo, professores ao descalabro que está a educação do governo do Estado”, afirmou, alfinetando Leite.

“Quero construir um Estado desenvolvido com todos aqueles que querem construir esse Estado. E não com uma narrativa de vaidade, de que ‘tem que ser eu’. Quero ver deixar a vaidade de lado para realmente ganhar a eleição contra a extrema-direita. Porque chegar no segundo turno é fácil. Eu quero ver ganhar a eleição”, discursou, alfinetando desta vez os petistas.

Em entrevista, afirmou estar dialogando com ambos para construir alianças e garantiu que não irá sozinha para o pleito, mas categoricamente descartou ser candidata a vice-governadora ou ao Senado Federal, quando questionada. “Não considero nenhuma outra candidatura.”

“É muito importante a gente priorizar a viabilidade de uma candidatura. Chegar ao segundo turno é uma etapa, o segundo turno é outra. Acredito que uma candidatura mais plural, que não seja nem muito pra cá, nem muito pra lá, tem mais viabilidade de ganhar a eleição”, insistiu.

Lupi buscar construir com Lula aliança no RS

O PDT já anunciou apoio à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à presidência da República em 2026. Também deverá apoiar petistas em estados onde tenham candidaturas expressivas. Em troca, o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, busca apoio petista em três estados, incluindo o Rio Grande do Sul.

“Temos três candidaturas a governador e as três muito bem posicionadas. A Juliana, aqui no RS. O Requião Filho, no Paraná, que está sempre em segundo lugar (nas pesquisas de intenção de voto). E o (Alexandre) Kalil em Minas Gerais, que também disputa o primeiro lugar. Essas três candidatura já estão colocadas na aliança nacional e vamos esperar reciprocidade por parte do PT, do PSB e dos outros partidos que compõem nossa aliança”, afirmou Lupi, em entrevista.

“Eu tenho conversado. Não é uma conversa só. Temos que respeitar o tempo de cada partido. O PT apresenta o nome do Edegar (Pretto), que é um belo nome, e está avaliando internamente. Temos expectativa, até porque já declaramos apoio ao presidente Lula. Política é permanentemente uma via de mão dupla. Quem ajuda também tem que ser ajudado, eu trabalho por isso”, completou.

"Mais próximo ao PT do que ao MDB", mas nem tanto

Por mais confiantes que os pedetistas estejam no nome de Juliana Brizola, o diálogo com demais partidos do centro à esquerda são diários. O PDT negocia com outras duas siglas que mantêm pré-candidatos: o PT de Edegar Pretto, presidente da Conab, e o MDB de Gabriel Souza, vice-governador do Estado.

Dentre esses dois nomes, o PDT está, hoje, mais próximo ao PT, segundo relataram lideranças trabalhistas. A proximidade foi demonstrada na prática durante a semana com o lançamento da Frente Pró-Lula no RS, que reuniu sete partidos para firmar apoio à reeleição do presidente: PT, PSB, PDT, PCdoB, PSol, Rede e PV.

"Esperamos que essa unidade que construímos aqui para apoiar a candidatura do Lula lá também venha de lá para cá e possa se consolidar para apoiar a candidatura da Juliana Brizola aqui. Então, Lula lá e Brizola aqui, coisa que é possível de acontecer. É um caminho de duas mãos. Não pode só um servir. O projeto do PT em Brasília é um projeto maior, e, para que esse projeto maior se consolide, eles precisam do Rio Grande. Brasília tem que nos ajudar também. Assim como a candidatura do Lula é a melhor projetada lá, a candidatura da Juliana é a melhor projetada aqui”, afirmou o deputado federal Pompeo de Mattos.

Os possíveis aliados compareceram à convenção pedetista. A vereadora Natasha Ferreira (PT), a deputada federal Daiana Santos (PCdoB) e o vice-presidente estadual do PSB Juliano Paz discursaram em alusão à Juliana e em nome da unidade, assim como o Psol.

Alguns partidos da base de apoio do governo Eduardo Leite (PSD) também se fizeram presentes, caso do próprio PSD, do PSDB e do União Brasil, com o deputado estadual Thiago Duarte. Este, contudo, deve deixar a legenda na janela partidária e tem o PDT como um possível destino.

Na difícil equação que são as negociações entre partidos que almejam protagonismo com a cabeça de chapa para governador, o PDT demonstra pender mais à esquerda, ainda que outras hipóteses estejam sendo postas internamente.

“Vamos para a eleição mais importante da história do PDT. Tem um simbolismo. Temos um desafio pela frente que é ultrapassar a cláusula de barreira”, discursou o deputado estadual Gerson Burmann.

Manter uma candidatura própria para governadora é essencial para fazer numerosas bancadas na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa. Além disso, o PDT construiu os oito anos da gestão Leite e foi peça chave pró-governo em diversos momentos no Parlamento gaúcho. Manter-se governo até o final do mandato, enquanto dialoga com partidos de esquerda e ainda encabeça uma chapa para o Palácio Piratini é o cenário ideal para eleger parlamentares.

Bancada estadual é ausência

O deputado estadual Gerson Burmann esteve presente no evento. Os demais parlamentares que compõem a bancada estadual do PDT – Airton Artus, Luiz Marenco e Tiago Cadó, além dos secretários do governo gaúcho Eduardo Loureiro (Cultura) e Gilmar Sossella (Trabalho) – foram ausência.

Em um evento com a magnitude que tem o lançamento de uma pré-campanha ao governo do Estado, em que até o presidente nacional do partido compareceu, as ausências importam. O movimento indica uma menor afinidade da bancada estadual com a pré-candidatura de Juliana. Afinal, o partido ainda conta com duas pastas na gestão Eduardo Leite (PSD), os deputados estaduais têm sido fiéis aliados do Palácio Piratini na Assembleia Legislativa e o governo já tem pré-candidato: o vice, Gabriel Souza (MDB).

Márcio Bins Ely foi eleito presidente do PDT de Porto Alegre

O PDT de Porto Alegre, enfim, elegeu uma executiva no diretório de Porto Alegre, após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que passou a limitar a vigência de comissões provisórias, que era a realidade até então.

O vereador da Capital gaúcha Márcio Bins Ely foi eleito presidente do diretório por aclamação. Ele comandará os trabalhistas no município por um ciclo de quatro anos. Cofira a executiva abaixo.

  • Presidente – Márcio Bins Ely
  • Vice-Presidente – Douglas Neumann
  • 1º Vice-Presidente – Julian Brandino da Silva Gomes
  • 2º Vice-Presidente – Waleska Rosa Vasconcellos
  • Secretário-Geral – João Guilherme Dezenzi Silva
  • 1º Secretário – Lucas Brizola
  • 2º Secretário – Luiz Jacomini Filho
  • Tesoureiro – Francisco Carlos Dornelles
  • 1º Tesoureiro – Luis Fernando Rosa
  • 2º Tesoureiro – Júlio César de Oliveira Chaise
  • Assessor Jurídico – Luiggi Bertaco
  • Assessor Jurídico-Adjunto – Afonso Motta
  • Secretário de Comunicação – Yuri Ferrer
  • Secretário de Comunicação-Adjunto – Larissa Silva de Souza
  • Secretário de apoio aos Movimentos Partidários – José Carlos Athaydes
  • Secretário de apoio aos Movimentos Partidários-adjunto – Noraci Oliveira da Silva
  • Secretário de Apoio às zonais eleitorais – Sérgio Luis Mendes Fraga
  • Secretário de Apoio às zonais eleitorais-adjunto – Laura de Lima Schaedler
  • 1º Vogal – Andrpe Luís Freitas Duarte
  • 2º Vogal – Simone Klein Pinto de Oliveira
  • 3º Vogal – Lisiane Paz Dias
  • 4º Vogal – Marcela Ariana Fontela Vitória
  • 5º Vogal – Giulia Gentilin
  • 6º Vogal – Felipe Briance Franco