Política

Novo presidente da Assembleia prevê acirramento das discussões em ano eleitoral: “igual Gre-Nal”

Sergio Peres afirma que Republicanos não terá candidato ao governo ou ao Senado e discute apoio entre PL e MDB

Peres conduzirá o Parlamento gaúcho em 2026
Peres conduzirá o Parlamento gaúcho em 2026 Foto : Alina Souza

O novo presidente da Assembleia Legislativa veio do interior de Santo Antônio da Patrulha, região que hoje fica o município de Caraá. Sergio Peres, do Republicanos, é um pastor evangélico ligado à Igreja Universal. Ele se candidatou pela primeira vez em 2002, sendo assim um dos pioneiros dentre os pastores que ingressaram na política e que hoje representam uma das maiores forças eleitorais do país. Filho de agricultores, aos 19 anos rumou à Região Metropolitana de Porto Alegre em busca de alçar voos maiores. Após atuar por quatro anos como deputado estadual entre 2003 e 2006, se dedicou às atividades pastorais para retornar à Assembleia Legislativa apenas em 2014. Desde então, se reelege e, por acordo dos maiores partidos da Casa, conduzirá o Parlamento gaúcho no último ano da atual legislatura.

  • Quais serão as prioridades da gestão? Já definiu um tema para a presidência?

Eu vou ser municipalista. O deputado (Vilmar) Zanchin (MDB) foi presidente da educação. O deputado (Adolfo) Brito (PP) defendeu a irrigação. O Pepe (Vargas, PT) fez o foro do desenvolvimento sustentável. Quero defender o municipalismo porque acredito que é no município que tudo acontece, que tudo começa. Onde as pessoas trabalham, geram a renda, impostos. E, hoje, esse pacto negativo está muito desigual. O governo cria planos, mas, às vezes, não manda o recurso para que o prefeito possa executar. Temos que lutar para que fique mais recurso, porque o povo contribui para o município.

  • Vai conduzir a Assembleia em um ano eleitoral. O ritmo dos trabalhos pode ser mais lento, ou acredito em um acirramento nas discussões no plenário?

Tchê, aqui nos gaúchos tem que ter peleia, igual Gre-Nal, sempre acontece. Acredito que no ano eleitoral vai ter o lado ideológico, mas, aqui na Casa, projetos polêmicos o governo não protocolou nenhum. O governo já está no final. Viemos de reformas desde o tempo do (governador José Ivo) Sartori. Já temos 12 anos de reformas. Acho que, no último ano, o governo não vai ter projetos muito polêmicos. Vai ter os acirramentos políticos, ideológicos, acusações. Mas temos aqui um Parlamento maduro. Acredito que vai ser menos acelerado em termos de votações.

  • Tem sido uma legislatura com menos projetos de deputados. Concorda?

É que os projetos polêmicos são do governo, que é o que mexe com as bases, alíquotas, taxações, aumenta o imposto, pedágio, reforma de servidor, seja polícia penal, seja professor, seja Brigada (Militar). Os sindicatos se manifestam. Eu tenho aprovei uns cinco projetos aqui. O Republicano foi o que mais aprovou. Só que são projetos que são unânimes na votação, porque ajudam a comunidade. Não é projeto que gere grandes despesas.

  • Como vê o início dos trabalhos da CPI dos Pedágios?

Os embates vão acontecer, deve ter audiências públicas, convocações, revisão de contrato, que é o que acredito que o presidente, o relator vai pedir. Espero que não se torne eleitoreira, que não seja apenas para denegrir, para causar. Que venha ter as adversidades, mas seja construtivo.

  • O Republicanos está dividido na Assembleia, com dois parlamentares mais ligados ao governo e três na oposição. Como foi atuar com essa lógica?

É ruim. Para o partido é ruim. Mas nós, Republicanos, sabemos o que é família. E em família tem briga, tem diversidade. A única coisa que eu deixei sempre clara para o governo é que eu não voto aumento de ICMS. Veio duas vezes para cá e foi unânime, ninguém votou. O deputado, que hoje é o presidente (do partido) e secretário estadual de Habitação, Carlos Gomes, sai agora em fevereiro (do governo). E aí vai começar as costuras. Ele vai ouvir as bases, os prefeitos, os vereadores, os vice, os presidentes, para ver com quem coliga. O Republicanos não está tendo candidato para concorrer a governo e ao Senado. Está muito focado para deputado federal e estadual fazer bancada.

  • Qual posição defende que o Republicanos adote para a eleição ao governo do Estado?

Eu não tenho dificuldade. Em respeito à minha fé, tem coisa de família que eu não negocio. Isso é valor, o que mexe comigo. Que é posição que eu tenho convicção. Dificilmente o Republicanos vai com a esquerda. Então vai ficar entre o (Luciano) Zucco (PL) e o Gabriel (Souza, MDB). Nós já temos três (deputados) declarados que são Zucco. O presidente está vendo ainda. Eu não sou empecilho. Vou cuidar da minha campanha. Não tenho candidato ao governo. Mas, se a gente abraçar um, vou ser fiel e vamos trabalhar.

  • O que achou do indicativo de apoio do PP ao PL?

É propício, porque o PP já direita. É muito do agro, do Interior. Acompanho por jornais e conversando com parlamentares deles, vejo que a base é mais para o Zucco. E no Interior os adversários é MDB e PP, então não se fecham muito.

  • E a base do Republicanos, entre MDB e PL, tem preferência?

Nós não temos alas contra o Zucco. Tem alguns que não gostariam, claro. Mas vamos ouvir o deputado Carlos, como presidente, vai chamar os deputados às bases, vai ouvir e decidir para uma via. Não tem como tudo ser unânime em tudo. Mas não podemos deixar que a vontade pessoal de um atrapalhe um projeto para o Estado.

  • Quanto pesa a opinião do senador Hamilton Mourão nessa decisão?

É muito importante. Hoje, é a maior liderança que nós temos aqui do Republicano. Nos ajuda muito as emendas dele. Pessoa muito conhecedora, sensata naquilo, sempre com os pés no chão, não entra naquela polêmica adoidada.

  • Ser presidente em ano eleitoral é bom ou ruim, visto que tem menos tempo para campanha, mas por outro lado ganha em visibilidade?

A minha campanha é de quatro anos. Sempre. Eu já passei em quase todo município. Mas a visibilidade é maior, chega no município como o presidente, se fala pela Casa. Acredito que vai ser bom. Então, acredito que vai ser bom. Vai ser bom.

  • Quais partidos devem fazer as maiores bancadas neste ano?

Acho que não vai fugir muito do que tem. Acredito que o PP está com uma boa nominata. O PSD, eu não conheço todos, mas também está aí. O PL tem uma nominata boa. Nós (Republicanos) temos uma boa nominata. O MDB, vai ter candidato próprio, também. Eu acho que não foge muito.

  • Deve haver muitas trocas na janela partidária, como observa esse momento?

É natural. Muda-se muito lá em cima (Brasília). O candidato sempre vai olhar onde ele cabe com a votação dele, que pode ter mais possibilidade de se eleger. Não quer dizer que ele acerte, mas todo deputado faz a leitura.

  • Como vê o cenário para a eleição nacional?

Independente da sigla partidária, eu vejo que o Tarcísio (de Freitas, Republicanos, governador e São Paulo) é disparado o melhor candidato. Ele ultrapassa as siglas partidárias. Ele não tem rejeição pelo governo dele, pela pessoa dele, pela capacidade, pela jeito que ele faz política. O Flávio Bolsonaro, um jovem, promissor, vem com a bagagem do pai. Mas são muito polêmicos. Tem muita rejeição. Não tem preparação ainda. Não se compara com o Tarcísio, que governa um Estado, que já foi ministro de Obras. Gostaria de ver Tarcísio. Independente de sigla, se ele fosse do PL, do MDB, eu votaria em Tarcísio. Qualquer partido.