A partir da próxima terça-feira, o plenário da Assembleia Legislativa terá uma nova composição. Isso porque termina nesta sexta-feira a janela partidária – período em que deputados estaduais e federais podem mudar de legenda sem risco de perder o seu mandato – e ao menos uma parte política do parlamento gaúcho eleito em 2022 não existe mais.
O caso mais marcante é o do PSDB. A saída do governador Eduardo Leite do partido, em maio de 2025, selou o destino da bancada tucana. Desde então, conversas indicavam uma migração dos deputados da base para o PSD, novo partido do governador. Foi o que aconteceu. Dos cinco deputados eleitos do PSDB, quatro acompanharam Leite: Valdir Bonatto – ainda em janeiro, antes da janela –, Nadine Anflor, Pedro Pereira e Neri, o Carteiro. Kaká D'Ávila também deixou os tucanos, mas foi para o Podemos.
Da mesma forma, outros dois partidos perderam representação no Legislativo. O PRD, de Elizandro Sabino, que migrou para o Republicanos; e o PCdoB, que perdeu Bruna Rodrigues para o PSB. A entrada da deputada nos socialistas foi o que manteve a bancada, uma vez que Elton Weber, único deputado eleito pelo PSB em 2022, migrou para o PSD.
PSD agrega maior número
Em compensação, o saldo da janela eleitoral para alguns partidos foi bem positivo. Em especial o do PSD. Além dos quatro tucanos e de Weber, a sigla também viu entrar em seus quadros dois nomes históricos do PP: Ernani Polo e Frederico Antunes.
A saída dos deputados se deu em função dos arranjos eleitorais que levaram o PP a apoiar a pré-candidatura de Luciano Zucco (PL) ao governo do Estado. Agora, ambos devem concorrer na chapa liderada pelo vice-governador, Gabriel Souza, que irá disputar o governo do Estado. Ernani, como pré-candidato a vice, e Antunes a senador.
Para completar a bancada, Aloísio Classmann – pelos mesmos motivos eleitorais que levaram os demais – deixou o União Brasil, que está em processo de federação com o PP, e se filiou ao PSD. Assim, o partido liderado nacionalmente por Gilberto Kassab, que em 2022 elegeu um único deputado para Assembleia gaúcha, terminará 2026 com oito parlamentares.
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Mais bancadas também passaram por adições ou perdas, mesmo que menos volumosas. No caso do Republicanos e do PDT, o saldo é positivo. Ao optar por apoiar a pré-candidatura de Zucco, o Republicanos conseguiu manter na sigla os deputados que ameaçavam desembarcar caso o partido decidisse por uma aliança com o pré-candidato governista. A vinda de Sabino e de Airton Lima, suplente do Podemos, foi um adicional. Vale pontuar que a sigla, assim como o PP, integrou a base do governo ao longo dos três últimos anos.
Já o PDT viu retornar para o partido Thiago Duarte, que deixou o União Brasil. O deputado já estava insatisfeito com os rumos da sigla, em função da federação com o PP, e decidiu voltar para a legenda na qual iniciou sua trajetória política.
No PL, apesar da mudança ter acontecido antes do período da janela, o partido conseguiu conquistar a cadeira que havia perdido em 2025, com a saída de Rodrigo Lorenzoni para o PP. O deputado Cláudio Branchieri saiu do Podemos e ingressou nos Liberais.
Por fim, além daquelas bancadas que deixaram de existir, terminam a janela com saldo negativo o PP e o União Brasil. Mesmo levando o deputado Gaúcho da Geral do PSD, o PP não conseguiu sanar a perda de duas cadeiras. O União Brasil também não, permanecendo apenas com Dirceu Franciscon.