Política

OAB quer acesso à delação de Delcídio para avaliar pedido de impeachment

Senador teria citado vários nomes e detalhou os bastidores da compra da refinaria de Pasadena

Presidente teria influência no processo, além de ligação com supostos desvios de nomeação de ministros
Presidente teria influência no processo, além de ligação com supostos desvios de nomeação de ministros Foto : Marcelo Camargo / Agência Brasil / CP
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), entidade mais influente da advocacia no País, informou nesta quinta-feira, que vai pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) acesso à delação premiada do senador Delcídio Amaral (PT-MS). O petista fez acordo com a Procuradoria-Geral da República na Operação Lava Jato.

Foram divulgados detalhes da delação de Delcídio que teria 400 páginas e trechos do depoimento. O senador citou vários nomes, entre eles o do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e detalhou os bastidores da compra da refinaria de Pasadena pela Petrobras, entre outros assuntos. As primeiras revelações do ex-líder do governo fazem parte de um documento preliminar da colaboração.

"A OAB irá requerer ao Supremo Tribunal Federal acesso a delação do senador Delcídio do Amaral, cujo teor, segundo a imprensa, indica influência direta da presidente da República na condução da operação Lava Jato, bem como supostos desvios na nomeação de ministros para os tribunais superiores com o intuito de influir no andamento da operação Lavo Jato", informou a assessoria do presidente da Ordem, Claudio Lamachia, em nota.

Na semana passada, a OAB solicitou ao juiz Sérgio Moro, que conduz as ações penais da Lava Jato na 1ª instância, em Curitiba, acesso aos autos da operação "para avaliar a possibilidade de um pedido de impeachment contra a presidente da República".

As primeiras revelações do ex-líder do Governo fazem parte de um documento preliminar da colaboração. Nesta fase, o delator indica temas e nomes que pretende citar em seus futuros depoimentos após a homologação do acordo.

Delcídio foi preso no dia 25 de novembro do ano passado acusado de tentar atrapalhar as investigações da Operação Lava Jato e solto no dia 19 de fevereiro. Desde que saiu da prisão, Delcídio nega ter feito delação premiada.