"Marcelo Bahia Odebrecht coordenava e autorizava diversos pagamentos de propina, não só para Antonio Palocci, mas para obras de vários níveis de administração, federal ou estadual. Ele tinha ciência e autorizava tais pagamentos. Eu cito, para mostrar que ele tinha poder direção, não só da empresa, como de pagamentos. Estão documentalmente provados pagamentos relacionados ao metrô de São Paulo, a contratos com a empresa metropolitana de transportes urbanos de São Paulo, reformas de centros educacionais, metrô do Rio de Janeiro, porto de Laguna, contrato de processamento e tratamento de lixo em São Paulo, obras de reforma de presídios e casas de custódia no Rio de Janeiro, obras de reforma no aeroporto Santos Dumont, modernização do autódromo de Jacarépaguá, obras das piscinas olímpicas do panamericano de 2007 e obras da Terceira Perimetral de Porto Alegre", recordou Pace.
Com a revelação da ligação de pagamentos de propinas com as obras da Terceira Perimetral, o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, usou o Twitter para se manifestar sobre a citação do empreendimento gaúcho.
7) É importante lembrar que no atual governo (2010 a 2016) a Odebrecht não realizou NENHUMA obra para a Prefeitura de Porto Alegre. — José Fortunati (@josefortunati) September 26, 2016
Após a manifestação de Fortunati, a prefeitura emitiu uma nota para reiterar que nenhuma obra na Capital, entre 2009 e 2016, foi realizada pela Odebrecht. "No caso mencionado da Terceira Perimetral, as construtoras executantes são Viaduto São Jorge – Construtoras Cidade e Sultepa; Trincheira da Anita Garibaldi – Construtoras Sultepa (que iniciou a obra), Pelotense e Cidade (que estão concluindo); Rótula da Plínio – Construtoras Pelotense, Compasul e Serki; Trincheira da Cristóvão Colombo – Construtora EPT; Trincheira da Avenida Ceará – Construtoras Compasul, Toniolo Busnelo e Sogel", relatou a nota.
Colaboradora quebra silêncio
De acordo com Pace, a operação de hoje, chamada de Omertà, foi realizada em decorrência do aprofundamento dos investigadores nos materiais apreendidos ainda na fase denominada de Acarajé, marcada pela prisão do publicitário João Santana e da sua esposa. "Além dessas prisões, foi apreendida uma planilha que foi chamada de 'programa especial italiano', que trouxe muita atenção. Na época não tínhamos certeza de quem a Odebrecht falava. Finalmente, a partir dos trabalhos feitos na 26ª fase nós conseguimos entender como o esquema funcionava, o que nos levou a retornar ao que foi feito ainda na 14ª etapa, marcada pelo envolvimento da Odebrecht", explicou.
O delegado destacou que somente uma mulher, que atuou como colaboradora da Operação Lava Jato, "teve a coragem de quebrar o silêncio que impera na Odebrecht sobre a ofensiva. "A colaboração dessa pessoa descortinou a operação e ela nos trouxe conhecimento que permitiu retornar ao material apreendido na 14ª fase para poder chegar até aqui. Ela não sabia quem eram os beneficiários, mas nos passou dados importantes que nos permitiram afirmar que italiano era Antonio Palocci", afirmou Pace.
Conforme Pace, Marcelo Odebrecht teria um encontro com Palocci em 2008 e o empresário imaginava que a reunião trataria de doações eleitorais. "Colegas até alertaram Marcelo sobre o encontro, para ter 'cuidado com o bolso'. Marcelo então disse que era preciso descobrir se havia algo que fosse possível buscar com Palocci para gerar mais recurso à Odebrecht. Fica claro que Marcelo atrelava doações a vantagens que seu grupo empresarial poderia ter", argumentou.