O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), se reuniu com os parlamentares líderes do PL para articular uma desobstrução dos trabalhos no Congresso Nacional – sem sucesso. Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) devem seguir ocupando os plenários da Câmara e do Senado Federal por tempo indefinido.
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“Tivemos uma reunião sem resultado. De muito respeito, mas de posicionamento. Estamos reafirmando que não sairemos do plenário até que haja uma definição das pautas”, declarou o deputado gaúcho Luciano Zucco (PL), líder da oposição na Câmara, em coletiva de imprensa. As pautas são anistia para os presos dos atos de 8 de janeiro de 2023, fim do foro privilegiado e impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
“Já temos deputados ocupando o plenário e, em respeito aos que estão presos injustamente, em repúdio aos abusos do ministro Alexandre de Moraes, iremos permanecer aguardando politicamente esse diálogo mais franco e propositivo. Não tem dias dos pais, não tem fim de semana. Vamos permanecer”, declarou Zucco.
Além dos líderes do PL, Motta também se reuniu com as lideranças da Câmara e, depois, do Senado. Esta terminou após as 19h desta quarta-feira. O presidente da Câmara tentará realizar uma sessão presencial ainda nesta quarta, a partir das 20h30. Enquanto isso, bolsonaristas seguem ocupando os plenários da Câmara e Senado, além do auditório Nereu Ramos, que poderia ser uma alternativa para se realizar a sessão.
“Decidimos ficar todo o final de semana e nos próximos dias. Estamos nos revezando em escalas de 12 horas, com receio de que o Motta feche a Câmara. Vamos buscar a volta do protagonismo do Congresso, que tem sido tratado como nada pelos ministros da Suprema Corte”, afirmou à reportagem o deputado gaúcho Maurício Marcon (Podemos).
Questionado sobre a Medida Provisória (MP) do governo federal que isenta o imposto de renda para quem ganha até dois salário mínimos, que perde a validade na próxima segunda-feira caso não seja apreciada, o deputado disse que a oposição tem outras prioridades.
“Tem pessoas presas também. A prioridade vai ser sempre a liberdade. Não chegamos a esse ponto por nossa culpa. Apoiamos o Hugo Motta (à presidência da Câmara) porque ele prometeu pautar a anistia e já faz cinco meses. É pautar, não aprovar. Pautar é algo democrático, deixar que o povo decida através dos representantes eleitos”, disse Marcon.
Existe a expectativa do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AM), convocar uma sessão virtual da Casa Alta nesta quinta-feira para votar o projeto referente ao imposto de renda.