O envolvimento da Odebrecht se estendeu a obras realizadas no Rio Grande do Sul. Mais especificamente em Uruguaiana, na Fronteira Oeste. Segundo informações divulgadas neste sábado pelo jornal Folha de São Paulo, para evitar problemas políticos em um contrato da área de saneamento, a empreiteira teria bancado cinco dos 11 vereadores do município. Conforme a publicação, a empresa só não conseguiu a maioria na Câmara porque um sexto candidato não conseguiu se eleger.
A Folha relata ainda que a operação não saiu cara para Odebrecht. Os valores teriam variado entre R$ 25 mil e R$ 30 mil por vereador. As informações foram repassadas ao Ministério Público por Paulo Roberto Welzel, então responsável pelo braço ambiental da empreiteira.
Welzel e Fernando Reis, que já foi presidente da Odebrecht, relataram que em 2012 chegaram a fazer doações via caixa dois de R$ 170 mil para quase metade da Câmara de Vereadores de Uruguaiana. Os políticos eram identificados como "bacia" e numerados de 1 a 6 e pertenciam às siglas PP e PSDB.
Um dos vereadores citados é o prefeito Ronnie Mello, que recebeu a alcunha de bacia 5. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele disse que foi surpreendido pela delação. "Estarei adotando as medidas cabíveis. Jamais cometi atos ilícitos e tampouco recebi recursos de forma irregular", disse.
Mello colocou ainda que desde o começo de sua gestão aumentou a fiscalização sobre a Odebrecht e solicitou a suspensão de aditivo assinado pelo antecessor.
Odebrecht bancou vereadores de Uruguaiana para garantir contrato, diz jornal
Empreiteira chegou a realizar doação de R$ 170 mil para quase metade da Câmara da cidade