A Democracia Socialista (DS) e parte do PT trabalham com a possibilidade de lançar a vereadora Sofia Cavedon para a disputa municipal. Esses petistas têm pronta a resposta para quem acredita que a corrida à prefeitura terá apenas atores que já passaram pelo Executivo ou que transitam na esfera federal. "Nunca tivemos dificuldade em abrir espaço para novas lideranças. Vai continuar sendo assim. Somos um partido", diz integrante da executiva. E há, ainda, aqueles que defendem a volta do ex-governador Olívio Dutra.
Desde que Fortunati explicitou o convite ao PT, que recusou a oferta de cargos, mas não descartou negociações para uma futura aliança, integrantes dos partidos interessados em participar da disputa se desdobram para tentar identificar as razões do movimento do prefeito. Eles se dividem em dois grupos. Há os que acreditam que Fortunati, ansioso em fechar um espectro amplo de alianças, acabou se equivocando. Outros avaliam que o prefeito tentou deixar explícita a articulação de parte do PT para apoiar a deputada federal Manuela D'Ávila (PCdoB) à prefeitura, à revelia do próprio partido.
PT se prepara para disputa interna
Enquanto o PDT tenta "segurar" o PMDB para compor a chapa que terá como candidato à reeleição, o PT deve enfrentar uma disputa interna de resultado imprevisível. Desde o movimento do prefeito em direção ao PT, negociações que eram feitas discretamente ganharam visibilidade. A principal é a articulação para a formação de uma chapa encabeçada pela deputada federal Manuela D'Ávila, com o atual presidente da Assembleia Legislativa, Adão Villaverde (PT), como vice.
O nome de Villaverde foi ventilado inicialmente como provável candidato do PT à prefeitura. Petistas e comunistas admitem, contudo, que foi uma forma de "cacifar" o deputado para a dobradinha com Manuela. A articulação contaria com o apoio informal do governador Tarso Genro (PT), que já teria até convencido militantes da Democracia Socialista (DS) da viabilidade da chapa de Manuela, recordista de votos para a Câmara no ano passado, com 482.590 votos, e Villaverde.
A dobradinha é confirmada por integrantes do PC do B, explicitada em almoços, jantares, encontros na Assembleia e solenidades no Palácio. Partidários de Manuela argumentam que o PT não tem disponíveis nomes com a força da deputada. "A Rosário (ministra Maria do Rosário) não quer, o Fontana (deputado federal Henrique Fontana) não quer, o Pont (deputado estadual e presidente do PT gaúcho) também não", assegura uma liderança comunista.
Pont reage com indignação. "Quem disse que o Fontana não quer, ou eu, ou a Rosário? A Manuela ontem mesmo fez aliança com o PPS. Em uma candidatura não vale só o número de votos. E a capacidade de gestão, e a experiência, a história?", questiona. Sobre as articulações para a chapa Manuela-Villaverde e o apoio do governador, o deputado se mostra incrédulo. "Vou ligar para o Tarso. A executiva municipal tirou uma posição de candidatura própria. Se estão fazendo isso, não vão dialogar com o partido? Então, teremos problemas."
PMDB planeja candidatura própria e aponta com Ibsen
A pressa de Fortunati em "colocar as cartas na mesa" também tem uma motivação preventiva. O prefeito corre o risco real de ver seu principal aliado, o PMDB, lançar candidatura própria à prefeitura. Com outros dois candidatos fortes na disputa, ele sabe que suas chances diminuem. No PMDB, a candidatura própria é defendida por líderes como o senador Pedro Simon, o deputado federal Osmar Terra - o mais votado do partido em 2010 - e pelo grupo ligado ao ex-deputado Eliseu Padilha.
O "candidato natural" do PMDB seria o presidente do diretório estadual, o ex-deputado Ibsen Pinheiro. "Se seria ideal o Ibsen candidato? Isso nem se discute", diz Simon. "A gente ter candidato não depende mais do que o Fortunati faz ou deixa de fazer. Ele é nosso amigo, mas a questão não é pessoal, é político-partidária. Esta é a opinião majoritária entre deputados e na executiva", afirma o deputado federal Osmar Terra. Para ele, a candidatura na Capital é uma questão de sobrevivência.