Os principais movimentos sociais de lutas por Direitos Humanos no Rio Grande do Sul contestam a nomeação da primeira-dama Maria Helena Sartori (PMDB) como secretária interina da Pasta de Justiça e Direitos Humanos. Para as ONGs Nuances e Somos, o acúmulo de função de Maria Helena, já que ela também é secretária de Políticas Sociais, pode minimizar a importância das secretarias. Além disso, a trajetória política da primeira-dama, quando nos seus mandatos de deputada estadual, nunca dialogou com esse setor, como pontua o secretário-geral da ONG Nuances, Celio Rolin.
“Esperávamos que fosse uma nomeação de uma pessoa realmente dentro dessa perspectiva de Direitos Humanos (DH). Achamos que foi mais um retrocesso desse governo. O que estamos mais preocupados é que entre numa pasta de DH uma pessoa que não é da área, não tem essa vinculação com o movimento social, principalmente para nós da discussão LGBT muito menos ainda. Nunca tivemos um posicionamento da primeira-dama, mesmo ela quando deputada, em relação ao tema, sobre participação e iniciativa dela, além de ela estar acumulando cargos”, apontou Rolin.
O coordenador-geral do grupo Somos, Bernardo Amorim, ponderou que o movimento não tem uma correção quanto ao nome de Maria Helena Sartori, principalmente pela formação intelectual da primeira-dama. Porém, o movimento pontua que o governo deixa claro, com o acúmulo de função de uma secretária em duas Pastas, que não tem o devido interesse em trabalhar com setores que necessitam da atenção do Estado principalmente para reduzir a violência e estigmas sociais.
“Ela está na Pasta de Polícias Sociais, que é uma pasta que por si só já é uma secretaria importante para o governo. Ela (Maria Helena) já deveria estar absurdamente sobrecarregada dentro dessa Pasta. Conseguir ter a possibilidade de cumular as duas Pastas, onde a secretaria de Justiça e Direitos Humanos também é outra Pasta que tem uma gama de trabalhos, que trabalhará com uma série de populações que precisam de políticas públicas urgentes, essa cumulação por si só é um absurdo. É o governo dizendo bem claro que não tem interesse em trabalhar em duas questões essenciais do nosso dia a dia, de pessoas que precisam de políticas públicas e precisam de estratégias de diminuição de violência e diminuição de estigmas”, afirmou Amorim.
A nomeação de Maria Helena Sartori como secretária interina da Justiça e Direitos Humanos foi publicada nesta terça-feira no Diário Oficial do Estado. A primeira-dama entra temporariamente no lugar de César Faccioli, exonerado ontem após comandar a Pasta desde o início da atual gestão. Não há prazo para que o governador nomeie o titular.
O governador José Ivo Sartori justificou a escolha de Maria Helena como forma de economizar recursos.
ONGs contestam nomeação de primeira-dama como interina da Justiça e Direitos Humanos
Governador José Ivo Sartori justificou escolha de Maria Helena como forma de economizar recursos