Política

Operação Lava Jato tem semana decisiva

Último procurado deve se entregar nos próximos dias, garante advogada

O último dos 25 mandados de prisão emitidos na sétima fase da operação Lava Jato, batizada de Juízo Final, deve ser cumprido até terça-feira. Adarico Negromonte Filho, irmão mais velho do ex-ministro das Cidades Mário Negromonte, apontado pela Polícia Federal (PF) como o último foragido da ação, deve se apresentar na Superintendência da PF em Curitiba (PR), entre segunda e terça-feira, segundo a advogada Joyce Roysen.

As prisões, que atingiram executivos de nove das maiores empreiteiras do país, aumentaram as expectativas de que venham à tona, em breve, nomes de dirigentes partidários, parlamentares e agentes políticos envolvidos no esquema de corrupção na Petrobras que teria movimentado cerca de R$ 10 bilhões. Os principais depoimentos devem se encerrar nesta semana. Reunidas em cartel, as empreiteiras combinavam preços de obras para a estatal e superfaturavam os contratos. Parte do dinheiro, produto do superfaturamento, seria distribuído entre executivos da Petrobras e operadores de partidos políticos PT, PMDB e PP. Alguns depoimentos indicam que parte dos valores desviados eram usados em campanhas eleitorais.

Diretorias da estatal seriam “loteadas” entre partidos da base. A diretoria de Abastecimento era ocupada por indicação do PP, a Internacional, por um nome do PMDB, e a de Gás e Energia, pelo PT. Foram identificados como operadores do esquema o deputado federal José Janene (PP), morto em 2010, o lobista do PMDB, Fernando Soares, o tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, e o doleiro, Alberto Youssef.

Na Operação Lava Jato, a PF e o Ministério Público Federal apuram indícios de crimes como lavagem de dinheiro de pessoas físicas e jurídicas, pagamento de propina a políticos, caixa dois para financiar partidos aliados do governo, corrupção de agentes públicos, sonegação fiscal e evasão de divisas, além de desvios de recursos da Petrobras. Um dos delatores do esquema, o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa também foi apontado como responsável por irregularidades na compra da refinaria de Pasadena, nos EUA, por uma comissão interna da Petrobras. Youssef e dois executivos da empreiteira Toyo Setal também fizeram acordo de delação premiada.