Política

Oposição articula bloco para enfrentar Piratini

Deputados acreditam que proximidade de eleições de 2018 vai fragilizar discurso de Sartori

Oposição articula bloco para enfrentar Piratini
Oposição articula bloco para enfrentar Piratini Foto : Samuel Maciel / CP Memória
Partidos que atuaram em oposição ao governo de José Ivo Sartori (PMDB) nos dois primeiros anos da atual administração decidiram aproveitar a fragilidade da base de apoio do Piratini para ampliar o bloco de enfrentamento às políticas do peemedebista. A articulação teve início no começo dessa semana. Nos bastidores, deputados do PT, PCdoB e PSol têm se encontrado para consolidar a estratégia de atuação antes da votação dos projetos remanescentes do pacote Sartori. “Fortalecer a oposição às políticas de Sartori será a salvação do Estado. O governador enviou, até agora, somente propostas destrutivas. Não demonstra nenhuma disposição de enfrentar a crise com algo construtivo, como a necessidade de transparência sobre a caixa preta das isenções fiscais”, afirma o líder do PSol, Pedro Ruas.

Para o líder do PT e um dos principais articuladores da iniciativa, Tarcísio Zimmermann, o terreno político tornou-se fértil ao avanço da oposição contra as política de Sartori após a votação, no final do ano passado, do pacote de projetos do governo. “Houve muita discussão, na qual parlamentares da base expressaram desejo de romper o isolamento em que estão por conta de determinações partidárias. Vamos estreitar relação com estes deputados e oferecer resposta mais firme na defesa do Estado que eles têm expressado, no discurso e no voto”, explica o petista.

Líder do PCdoB, Juliano Roso acredita na aproximação de setores do PDT e PTB, além dos representantes da Rede e PPL. “Com a proximidade de 2018 e a necessidade de definições para os projetos eleitorais, os partidos serão levados a se afastarem das políticas de Sartori e à criação de seus palanques estaduais”, define Roso.

PDT ingressa dividido na aliança


Voz mais crítica aos métodos e políticas do governador José Ivo Sartori (PMDB) no PDT, a deputada Juliana Brizola defende que seu partido se desvincule do Executivo o quanto antes. “Estou pronta para ser parceira dessa iniciativa (de aliança) e para defender com mais ênfase a necessidade de sairmos deste governo e apresentar à sociedade o projeto que temos para o Estado e o país”, revelou ontem a parlamentar, neta de Leonel Brizola.

Juliana teve o discurso mais contundente durante a reunião do PDT, ao final do ano passado, quando o diretório estadual votou pela continuidade do compromisso com Sartori, mesmo sob a recomendação do presidente nacional, Carlos Lupi, de que o desembarque poderia ser o caminho mais adequado.

“Esta segunda etapa do pacote de Sartori colide ainda mais com a história do PDT e o ideal de seus grandes líderes, por conter ataques aos direitos dos servidores. Incentiva também a privatização do patrimônio público. Para o PDT, é isso ou perderemos o discurso da candidatura própria”, analisou ontem. A decisão de deixar ou não o governo ocorrerá em março.

Líder do PDT na Assembleia, Eduardo Loureiro diz não pensar em assumir postura de oposição, mas assegura que o posicionamento crítico será permanente na avaliação sobre as propostas do Piratini. Enio Bacci (PDT) outra voz crítica sobre as políticas de Sartori, refuta a possibilidade do composição com os oposicionistas e considera que “não precisa de aliança com PT para discordar de Sartori”. “Votei contra a extinção das fundações e votarei contra quaisquer projetos que ofendam princípios que mantemos”, conclui Bacci.