Partidos que atuaram em oposição ao governo de José Ivo Sartori (PMDB) nos dois primeiros anos da atual administração decidiram aproveitar a fragilidade da base de apoio do Piratini para ampliar o bloco de enfrentamento às políticas do peemedebista. A articulação teve início no começo dessa semana. Nos bastidores, deputados do PT, PCdoB e PSol têm se encontrado para consolidar a estratégia de atuação antes da votação dos projetos remanescentes do pacote Sartori. “Fortalecer a oposição às políticas de Sartori será a salvação do Estado. O governador enviou, até agora, somente propostas destrutivas. Não demonstra nenhuma disposição de enfrentar a crise com algo construtivo, como a necessidade de transparência sobre a caixa preta das isenções fiscais”, afirma o líder do PSol, Pedro Ruas.
Para o líder do PT e um dos principais articuladores da iniciativa, Tarcísio Zimmermann, o terreno político tornou-se fértil ao avanço da oposição contra as política de Sartori após a votação, no final do ano passado, do pacote de projetos do governo. “Houve muita discussão, na qual parlamentares da base expressaram desejo de romper o isolamento em que estão por conta de determinações partidárias. Vamos estreitar relação com estes deputados e oferecer resposta mais firme na defesa do Estado que eles têm expressado, no discurso e no voto”, explica o petista.
Líder do PCdoB, Juliano Roso acredita na aproximação de setores do PDT e PTB, além dos representantes da Rede e PPL. “Com a proximidade de 2018 e a necessidade de definições para os projetos eleitorais, os partidos serão levados a se afastarem das políticas de Sartori e à criação de seus palanques estaduais”, define Roso.
PDT ingressa dividido na aliança
Voz mais crítica aos métodos e políticas do governador José Ivo Sartori (PMDB) no PDT, a deputada Juliana Brizola defende que seu partido se desvincule do Executivo o quanto antes. “Estou pronta para ser parceira dessa iniciativa (de aliança) e para defender com mais ênfase a necessidade de sairmos deste governo e apresentar à sociedade o projeto que temos para o Estado e o país”, revelou ontem a parlamentar, neta de Leonel Brizola.
Juliana teve o discurso mais contundente durante a reunião do PDT, ao final do ano passado, quando o diretório estadual votou pela continuidade do compromisso com Sartori, mesmo sob a recomendação do presidente nacional, Carlos Lupi, de que o desembarque poderia ser o caminho mais adequado.
“Esta segunda etapa do pacote de Sartori colide ainda mais com a história do PDT e o ideal de seus grandes líderes, por conter ataques aos direitos dos servidores. Incentiva também a privatização do patrimônio público. Para o PDT, é isso ou perderemos o discurso da candidatura própria”, analisou ontem. A decisão de deixar ou não o governo ocorrerá em março.
Líder do PDT na Assembleia, Eduardo Loureiro diz não pensar em assumir postura de oposição, mas assegura que o posicionamento crítico será permanente na avaliação sobre as propostas do Piratini. Enio Bacci (PDT) outra voz crítica sobre as políticas de Sartori, refuta a possibilidade do composição com os oposicionistas e considera que “não precisa de aliança com PT para discordar de Sartori”. “Votei contra a extinção das fundações e votarei contra quaisquer projetos que ofendam princípios que mantemos”, conclui Bacci.
Oposição articula bloco para enfrentar Piratini
Deputados acreditam que proximidade de eleições de 2018 vai fragilizar discurso de Sartori